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Jornalista da TCV entre os vencedores do Prémio Nacional de Direitos Humanos
11-Dez-2007
O documentário "Quebra o Meu Silêncio com um Gesto de Amor", da jornalista da Televisão de Cabo Verde, Maria de Jesus Lobo, versando a problemática em torno das pessoas portadoras de Paralisia Infantil, foi o vencedor, na categoria "Reportagem", do Prémio Nacional de Direitos Humanos 2007.
O Prémio, no valor de 200 mil escudos, atribuído, ontem, na Praia, pela Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC), distinguiu, ainda, na categoria "Estudo Científico" a tese de mestrado "Mulheres, Democracia e Desafios Pós-Coloniais", defendida pela doutoranda Eurídice Furtado, e a Associação das Famílias e Amigos de Crianças com Paralisia Cerebral – "Acarinhar", na categoria "Organizações Não Governamentais".
Nesta primeira edição, conforme a CNDHC, o júri decidiu não conceder o prémio nas categorias "Município" e "Personalidades", por, não só, não ter havido inscrições, mas sobretudo, por entender que, "não existiam elementos suficientes que permitissem uma fundamentação criteriosa e objectiva conforme definido no regulamento".
Outra categoria que ficou sem atribuição, foi a de "Estudantes", por o júri ter entendido que "nenhum deles preenchia os critérios definidos, sendo que um deles não se enquadrava na modalidade definida", explica a organização.
O júri justifica a escolha da reportagem de Maria de Jesus Lobo, como sendo àquela que preencheu "melhor" os critérios definidos, realçando a relevância do tema e os resultados conseguidos com a sua divulgação.
"Trata-se de um documentário televisivo que trouxe para o debate público a situação dramática vivida por um grupo marcadamente desfavorecido, das periferias desta cidade, em condições precárias, nos limites da pobreza", revelou-se na nota justificativa do júri, a que a Inforpress teve acesso.
Segundo a mesma fonte, a reportagem revela, ainda, a luta diária de mulheres "heroínas", que procuram sobreviver sem praticamente qualquer apoio para lidarem com muitas dificuldades e um problema complexo para o qual não estavam preparadas.
Por essas e outras razões, o júri entendeu que, o trabalho da jornalista constitui um "valioso" contributo para a promoção dos direitos humanos dos excluídos, pois, conforme constatou-se, "dá-lhes a possibilidade de terem vez e voz".
Relativamente à escolha da Associação "Acarinhar", entendeu-se que, apesar de pouco tempo de existência (Abril de 2007), demonstrou "uma capacidade de organização, revelada no diagnóstico objectivo que permitiu-lhes fazer uma fotografia do grupo-alvo, trazendo-os para o convívio social, e permitindo com que sejam vistos não apenas como merecedores da nossa solidariedade, mas também, como sujeitos de direitos".
Quanto à tese "Mulheres, Democracia e Desafios Pós-Coloniais", um "trabalho de investigação de fundo", sobre um tema "relevante" para a sociedade cabo-verdiana, foi considerado, ainda, um contributo para o amadurecimento da discussão relativamente aos direitos humanos no País e a "promoção de uma cultura democrática de inclusão promotora do respeito pela igualdade na diferença".
A instituição deste Prémio é uma forma de "promover a cultura dos Direitos Humanos em Cabo Verde, chamando a atenção da sociedade para a importância desse tema ao mesmo tempo que reconhece, através da competição saudável, as instituições ou pessoas que actuam nessa área e têm exercido um importante papel na promoção dos Direitos Humanos no país", explicou a presidente Vera Duarte, que apela para a participação, em 2008, de mais concorrentes, sobretudo, as ONG´s.
Inforpress - www.inforpress.cv
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