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IC apoia repatriados na reformulação de projectos de vida
07-Dez-2007
O Instituto das Comunidades (IC) já financiou, até à presente data, 42 projectos de apoio a cabo-verdianos repatriados do estrangeiros, nomeadamente, nas áreas de comércio, agricultura, pecuária, pesca, beneficiando 101 indivíduos na região Fogo e Brava, num montante de cerca de cinco milhões de escudos.
Conforme disse à Inforpress, no Sal, o coordenador substituto do Projecto Nacional de Inserção dos Deportados em Cabo Verde, Olavo da Luz, mais de 50 por cento dos emigrantes cabo-verdianos repatriados são provenientes dos Estados Unidos da América (EUA), cerca de 38 por cento provém de Portugal, seguindo-se países como Holanda, França, Espanha, Brasil e outros.
De entre os indivíduos que são encaminhados para Cabo Verde por outros países, Olavo da Luz revela que os repatriados dos EUA são os que inspiram mais preocupação.
Para melhor entendimento desta afirmação, ele explica que essa maior preocupação, resulta não pelo «tão propalado estereotipo de periculosidade» mas pelos problemas sociais «graves» derivados do desenraizamento e pelas enormes dificuldades de adaptação que esses indivíduos revelam à sua chegada a Cabo Verde.
Segundo Olavo da Luz, esta situação deve-se ao facto de esses indivíduos - na sua maioria jovens -, por terem imigrado na infância, ou na adolescência, «desconhecerem, em grande medida» a cultura e a realidade cabo-verdiana.
Outro factor de peso, acrescenta este técnico da área, é o facto terem deixado para trás o núcleo familiar de base - consequentemente, os vínculos afectivos fundamentais -, bem ainda as enormes diferenças sócio-culturais e económicas, existentes entre os dois países.
Olavo da Luz entende que os repatriados não devem ser marginalizados, antes pelo contrário, precisam de uma oportunidade para se integrarem na sociedade em que passam a viver.
Neste particular, ele disse que o IC vai fazendo o possível numa «empreitada quase solitária».
Avança que o Programa de acompanhamento levado a cabo pelos Gabinetes de Atendimento Personalizado aos Deportados (GAP-D) e protagonizado pelo IC, têm facultado o «necessário suporte» psicológico, material e social a essas pessoas.
Para além disso, Olavo da Luz refere ainda que o IC tem apoiado os utentes desses gabinetes na identificação e reformulação dos seus projectos de vida, que inclui projectos sócio-laborais, sócio-económicos e de capacitação profissional.
Entretanto, lamenta o facto de na sua maioria os parceiros não terem vindo a participar de uma forma pró activa e pragmática no apoio aos repatriados.
No entanto, ele aponta algumas excepções como as câmaras municipais, a Cruz Vermelha da Brava, as delegacias de Saúde de Fogo e Brava e o Ministério do Trabalho, Família e Solidariedade (MTFS), que em 2005/2006 financiou alguns projectos sócio-económicos.
Para Olavo da Luz, é «extremamente» importante a parceria e o apoio de todas as instituições com competência na matéria, bem como da sociedade civil.
Mas, diz ele, existe uma «enorme dificuldade» em sensibilizar a sociedade cabo-verdiana e as próprias autoridades no que respeita à gravidade do processo de deportação, em termos sociais e psicológicos.
Inforpress - www.inforpress.cv
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