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Grupo espanhol investe mais de 220 M€ na Boa Vista
19-Set-2007
Um consórcio espanhol vai investir na ilha da Boa Vista mais de 220 milhões de euros, incluindo a construção de um hotel com dois mil quartos, de acordo com um protocolo hoje assinado na Cidade da Praia. O investimento anunciado é dos maiores alguma vez feito em Cabo Verde e envolve a Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas da Boa Vista e do Maio (SDTIBM) e o consórcio espanhol BUCAN, das ilhas Canárias, composto nomeadamente pela Cabocan, que já investe na ilha do Sal, e pela cadeia de hotéis Riu, também espanhola.

O investimento espanhol na ilha, que tem uma área de 620 quilómetros quadrados e uma população a rondar os cinco mil habitantes, vai ocupar 450 hectares e até 2020 transformará a Boa Vista, de acordo com o presidente da SDTIBM, João Serra.

O protocolo hoje assinado compreende a construção de uma estrada a ligar a ilha de norte a sul (cuja construção começa em Abril de 2008), produção e abastecimento de água e electricidade a toda a ilha, saneamento e apoios para os mais carenciados, para terminar nomeadamente com a existência de barracas e requalificar zonas mais degradadas.

Alem do hotel de cinco estrelas do grupo Riu, com dois mil quartos, o mesmo grupo construirá outro, de 500 quartos. Só o maior hotel, disse o presidente da Câmara da Boa Vista à Lusa, empregará 4.000 pessoas.

De acordo com João Serra, a construção da estrada a ligar as duas pontas da ilha está orçada em sete milhões de euros, os dois hotéis custarão ao grupo 150 milhões, os investimentos em água, energia (em 2020 só a Boavista produzirá tanta energia como agora o país inteiro) e saneamento serão de 15,8 milhões, apenas nos próximos três anos.

A curto prazo, os investimentos na Boa Vista chegarão aos 223 milhões de euros, mas os responsáveis da SDTIBM e do grupo BUCAN estimam que, depois de todo o terreno com infra-estruturas, os investimentos de outros grupos económicos chegarão a 600 milhões de euros.

«Este investimento originará 15 voos internacionais semanais para a ilha da Boa Vista», segundo João Serra.

O responsável cabo-verdiano explicou que nos termos do acordo o principal capital da sociedade serão os terrenos cedidos e que o grupo BUCAN terá como contrapartida uma parte dos resultados de exploração quando os terrenos forem valorizados e as construções concluídas.

Francisco Ufano, representante da BUCAN, salientou que o consórcio a que preside vai também tentar fazer obras no porto da Boa Vista, o principal acesso para a chegada de materiais, e acrescentou que há igualmente uma preocupação social, «porque alguém que aposta tão fortemente numa ilha não pode esquecer a sua população».

A ideia, ainda segundo João Serra, é um desenvolvimento integral da ilha, diferente do investimento «cogumelo», que é o que acontece quando um grupo económico constrói um hotel e nada mais.

Explica-se assim, disse, os investimentos avultados em infra-estruturas, para conseguir um turismo de qualidade, que respeite o ambiente, e ao mesmo tempo acabar com os casos de miséria que ainda existem, porque não se pretende «ter hotéis de luxo e ao lado cabanas e pessoas na miséria».

Segundo José Pinto Almeida, dois arquitectos da Câmara Municipal de Oeiras (geminada com a de Sal Rei, Boa Vista) estarão na ilha na próxima semana para ajudar na requalificação de uma zona de barracas.

Na ilha da Boa Vista já existem diversas unidades hoteleiras e em Abril próximo será inaugurado outro, também do grupo Riu. Actualmente a ilha tem uma disponibilidade de cerca de 12 mil camas.

A SDTIBM teve até meados deste ano um acordo com a empresa portuguesa Sociedade Lusa de Negócios, mediante o qual transferia para esta capacidades de decisão na procura de parceiros para os investimentos nas duas ilhas.

O acordo, que fora assinado no ano passado, foi muito contestado e acabou por ser denunciado no início de Fevereiro deste ano.

Diário Digital / Lusa
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