| António Moura : O homem que aproximou as ilhas de Cabo Verde |
| 29-Jul-2007 | |
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António Moura emigrou para os Estados Unidos aos 16 anos e há 12 voltou para Cabo Verde. Hoje, dirige quatro empresas, emprega quase meio milhar de pessoas e liga as ilhas todas em tempo recorde.
Com 53 anos, responsável pela maior empresa de transportes urbanos da ilha de Santiago, António Moura conseguiu recentemente a proeza de ligar as ilhas de Cabo Verde com embarcações rápidas, catamarãs, que fazem agora, de forma sistemática, o transporte entre todas as ilhas. O feito é tanto mais importante quanto até agora as ligações marítimas entre as ilhas eram pouco frequentes, sem horários certos e demoradas. Agora, uma ligação entre as duas principais cidades do país, Praia e Mindelo, demora entre seis e oito horas, menos de metade do tempo do que há um mês. Além da empresa de transportes marítimos, António Lopes da Moura tem uma frota de mais de cem autocarros, de turismo e de transportes urbanos (Sociedade de Transportes Terrestres) e ainda uma agência de viagens, uma empresa de engenharia e manutenção e outra de importação e exportação. "Já fomos convidados para investir em S. Tomé, na área dos transportes. Depois de consolidar os transportes em Cabo Verde, poderemos investir noutros países, até já tivemos encontros com os presidentes da Câmara de Luanda e do Maputo", disse António Moura à Lusa. Mas para já a prioridade é Cabo Verde. A Moura Company vai em Setembro/Outubro abrir uma agência de viagens na ilha do Sal e implementar ali um sistema de transportes urbanos, até agora inexistente. "Vão chegar mais cem autocarros para Santiago, Sal e São Vicente", revelou, acrescentando que também não param os investimentos na companhia de transportes marítimos. Nem que para isso tenha de ir ao Egipto ou à Austrália, em busca de mais catamarãs. E em dois meses, promete, as ilhas terão mais dois desses barcos, chegando no final do ano outros dois, estes com capacidade para passageiros e para carga (50 automóveis e 18 contentores). "Com mais estes barcos, Cabo Verde fica bem servido, com todas as ilhas ligadas todos os dias", garante o empresário, que diz fornecer um serviço público do qual o Estado não se devia alhear. "Neste momento é um privado que resolve a situação de isolamento das ilhas. Antes era o Estado, mas o Estado é mau gestor e por isso tem o dever de apoiar os privados que têm condições para prestar o serviço, porque quem vai usufruir é o povo", adverte, acrescentando que até agora não teve qualquer apoio, ainda que acredite que ele virá "mais tarde". Simples e calmo, António da Moura não exige nada e tão-pouco comenta o "rombo" que poderá fazer nas finanças da transportadora aérea, TACV, admitindo-se que perderá muitos passageiros devido aos preços altos que pratica. "O país é livre, eu faço o meu trabalho, proporcionando viagens rápidas com conforto e segurança e o povo faz a sua opção", diz, rematando: "Preocupo-me com a Moura Company, não com os TACV". Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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