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Sarkozy conversa sobre direitos humanos com Kadhafi e anuncia contratos
11-Dez-2007
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta segunda-feira ter pedido ao dirigente líbio Muammar Kadhafi "progressos no âmbito dos direitos humanos", e anunciou a conclusão de contratos por um valor de "cerca de 10 bilhões de euros" com a Líbia.
Logo após a saída de seu convidado do palácio do Eliseu (sede da presidência francesa), Sarkozy reuniu os vários jornalistas presentes para justificar, mais uma vez, a recepção do coronel Kadhafi, que suscitou uma intensa polêmica no país.
"A França recebeu um chefe de Estado que optou por desistir definitivamente da arma nuclear, de colocar os estoques de armas de destruição em massa sob o controle das organizações internacionais, de renunciar definitivamente ao terrorismo, de libertar as enfermeiras búlgaras presas durante mais de oito anos", enumerou o presidente francês.
"Minha convicção mais profunda é que a França tem que conversar com todos os que querem se tornar respeitáveis e se reintegrar à comunidade internacional. É preciso incentivar os que viram as costas para o terrorismo e para a arma nuclear", justificou.
"Disse ao presidente Kadhafi o quanto ele ainda tem que progredir no âmbito dos direitos humanos, em todos seus aspectos", também afirmou Sarkozy.
O presidente francês anunciou logo em seguida que deve assinar nas próximas horas com seus convidados líbios contratos por um valor de "cerca de 10 bilhões de euros".
"Que as coisas sejam bem claras: também estou aqui para lutar ao lado das empresas francesas, para que obtenhamos os contratos e as encomendas que os outros estavam tão felizes de obter no nosso lugar", declarou.
Esses acordos incluem "contratos de colaboração para uma usina de dessalinização de água do mar com um reator nuclear, uma cooperação em matéria de armamento, e diversos contratos econômicos", especificou.
O filho do dirigente líbio, Seif el-Islam Kadhafi, havia mencionado sexta-feira a compra de aviões Airbus e de um reator nuclear "por mais de 3 bilhões de euros", acrescentando que a Líbia também desejava adquirir "vários equipamentos militares" e negociar a compra de aviões de combate Rafale.
Em alusão aos intelectuais de esquerda, Sarkozy criticou "as pessoas que dão lições de direitos humanos tomando seu café com creme no boulevard Saint-Germain", a famosa avenida localizada em um dos bairros mais caros de Paris.
Ele também reafirmou nesta segunda-feira sua confiança na secretária de Estado para os Direitos Humanos Rama Yade, apesar da polêmica provocada por suas declarações denunciando a visita de Muammar Kadhafi.
AFP
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