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Rússia: Kasparov acusa ocidente de terem dado "carta branca" a Putin para reprimir oposição
29-Nov-2007
O ex-campeão mundial de xadrez e dirigente da Frente Cívica Unida (FCU), Garri Kasparov, acusou hoje os dirigentes dos países ocidentais de terem dado "carta branca" ao Presidente Vladimir Putin para reprimir a oposição russa. "Elas (autoridades russas) já não reagem às críticas externas. A carta branca que Putin recebeu dos dirigentes dos países democráticos nas várias cimeiras dos sete leva-as a fazer o que querem. Não se sabe até onde irão", declarou Kasparov aos jornalistas à porta do edifício onde reside, no centro de Moscovo.

Kasparov fez estas declarações horas depois de ter saído da prisão, onde cumpriu uma pena de cinco dias de detenção a que foi condenado depois de ter sido detido sábado passado, sob a acusação de "perturbar a ordem pública" e "organizar uma manifestação não autorizada".

Uma das mais conhecidas figuras da oposição a Vladimir Putin - cujo partido, Rússia Unida, deverá vencer as eleições legislativas de domingo, segundo as sondagens -, Kasparov considerou a sua detenção "uma violação sem precedentes da lei e da Constituição".

"Trata-se de um sinal de que o poder não travará perante nada. Iremos exigir a abertura de processos-crime quanto a todas as violações da lei", declarou.

Garri Kasparov considerou que as autoridades violaram a lei quando o impediram de se encontrar com o seu advogado e quando o tribunal se recusou a ouvir testemunhas que, segundo disse, podiam provar que não desobedecera à polícia.

"Fica-se com a impressão de que não há controlo sobre o que se passa nas esquadras da polícia, de que teve lugar um golpe constitucional e que todo o poder na Rússia está nas mãos de pessoas vestidas à civil, sem nome, mas perante os quais tremem os chefes da polícia", afirmou.

A polícia que se encontrava junto à residência de Kasparov obrigou os jornalistas e manifestantes a dispersarem, ameaçando fazer novas detenções porque "está a ser realizado um ajuntamento não autorizado".

A fim de evitar novas detenções, Kasparov retirou-se para casa, mas antes anunciou que pretende dar uma conferência de imprensa sexta-feira e afirmou que a Rússia está a avançar para uma ditadura.

"O regime entra numa fase muito perigosa de regresso à ditadura", declarou o líder da oposição aos jornalistas e manifestantes que o esperavam junto da sua residência, no centro de Moscovo, após ter abandonado a prisão.

"Não me deixarei desencorajar na minha determinação de combater este regime. Entramos numa nova fase de oposição ao regime", acrescentou o dirigente da organização Outra Rússia, que reúne várias forças da oposição a Vladimir Putin

A detenção de Kasparov, que já anunciou que irá lutar pelo cargo de Presidente da Rússia nas eleições de 02 de Março de 2008, foi condenada por numerosos políticos e organizações internacionais.

"As acções das autoridades russas - desde a detenção infundada do dirigente da oposição Garri Kasparov até ao espancamento de jornalistas, defensores dos direitos humanos e ao emprego de força exagerada em relação a manifestantes pacíficos - contribuíram para o estabelecimento de uma atmosfera em que é complicado ou mesmo impossível exprimir desacordo e falar das violações dos direitos do homem", declarou Nicola Duckworth, directora da Amnistia Internacional para a Europa e Ásia Central.

Mikhail Gorbatchov, antigo presidente da ex-União Soviética, condenou também a detenção de Garri Kasparov.

"Penso que é desproporcionado prender Kasparov durante cinco dias", declarou Gorbatchov, sublinhando que "a culpa é dos órgãos de segurança locais".

Agência Lusa - www.lusa.pt
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