| Para Putin as legislativas são uma escolha entre "ele e o caos" |
| 01-Dez-2007 | |
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Para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, as legislativas desse domingo representam, para o povo, uma escolha entre seu partido, o Rússia Unida", e a "volta à humilhação e à desintegração" no país. Putin se dirigiu na quinta-feira pasada a seus concidadãos com toda sua autoridade de presidente mesmo se, segundo o Kremlin, ele se expressasse apenas como candidato de partido. "É complicado diferenciá-los. Presidente ou candidato, ele segue sendo o homem mais popular", admitiu o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, pouco depois da transmissão da mensagem de Putin. "O resultado das eleições parlamentares vai, sem dúvida, dar o tom para a eleição de um novo presidente" em março de 2008, acrescentou Putin em sua curta mensagem de três a quatro minutos. "O país entra agora numa fase de renovação completa dos poderes legislativo e executivo", insistiu. Putin sugeriu mais uma vez que deixaria o Kremlin em 2008, mas não fez qualquer comentário sobre seu sucessor potencial nem sobre suas próprias intenções, num momento em que os apelos para que ele siga sendo o "líder nacional" se multiplicam em todo o país. Até sua mensagem televisiva, circulavam rumores de uma possível renúncia do presidente, ou do anúncio do nome de seu sucessor para disputar a eleição presidencial. Depois das legislativas, Putin terá que decidir se fica na presidência até os primeiros meses de 2008 ou se sai do Kremlin para entrar no Parlamento, onde poderia assumir a liderança da maioria parlamentar. Putin também pode recorrer a outros estratagemas para se manter no poder, como assumir o cargo de primeiro-ministro ou o de líder do Rússia Unida, um partido muito poderoso - que tem mais de 60% das intenções de voto nas legislativas. Agitando o fantasma da desestabilização, num momento em que os russos ainda estão traumatizados pelo choque econômico consecutivo à queda da União Soviética, Putin advertiu para a volta ao poder dos liberais, que dirigiam o país nos anos 90 sob a presidência de Boris Yeltsin. "É preciso impedir que retornem ao poder os que tentaram, sem sucesso, dirigir o país, e gostariam hoje de modificar os projetos de desenvolvimento da Rússia, mudar a política desejada por nosso povo e nos levar de volta para a época da humilhação, da dependência e da desintegração", afirmou Putin. Nos últimos dias, o presidente-candidato denunciou várias vezes o "inimigo interno", cujo objetivo seria vender aos ocidentais uma Rússia no caminho da recuperação. Entretanto, a ameaça dos liberais parece mínima: os partidos SPS e Yabloko têm apenas entre 1% e 2% das intenções de voto, ou seja, muito menos que os 7% necessários para entrar no Parlamento. "Não podemos esquecer onde estávamos há oito anos, nem a forma como reerguemos o país", clamou Putin, citando a "estabilidade" econômica reencontrada e a "luta contra a corrupção e o terrorismo" conduzida sob sua presidência. AFP Comentários (0)
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