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Hugo Chávez anuncia que vai governar até 2013
06-Dez-2007

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quinta-feira que irá governar até 2013, quando termina seu atual mandato, depois de rejeitada a reforma constitucional que permitiria a reeleição contínua a cada sete anos.

"Uma coisa são os gritos e outra é a realidade; a reforma não foi aprovada e terei que sair do governo em 2013; vou trabalhar sem descanso até o último dia", disse Chávez em um ato em um fórum da capital, em que os seus seguidores exclamavam "Uh ah, Chávez não se vá!".

"Vocês têm uma dívida comigo, vocês dirão se me pagam ou não, vocês têm uma dívida comigo, com a pátria e com o futuro", afirmou Chávez aos seguidores.

Virada de mesa?

Mais cedo, o ex-ministro do Interior e Justiça Luis Miquilena disse que o presidente cogitou  "invalidar a vitória do Não" no referendo. O político foi mentor e assessor de Chávez entre 1992 e 2002.

Chávez "esteve a ponto de invalidar esta vitória do Não e, com isso, deixar o país em desequilíbrio", disse durante uma entrevista à rede União Rádio, fazendo referência às nove horas de intervalo que transcorreram entre o fechamento das urnas até o anúncio oficial que deu a vitória ao 'Não' com 50,7% dos votos.

O Conselho Nacional Eleitoral tinha o resultado às 20h mas ele só foi anunciado às 2h da manhã , lembrou Miquila, que acompanha Chávez desde sua tentativa fracassada do golpe de Estado em 1992 até o fugaz golpe de abril de 2002.

"Chávez, na verdade, pensou melhor e viu que seria o mesmo que um haraquiri" - modalidade japonesa de suicídio, que consiste em rasgar o ventre a faca ou a sabre - se invalidasse o resultado, disse Miquilena.

O veterano político presidiu a Assembléia Constituinte que redigiu a carta magna de 1999. Ele advertiu que o presidente "pretende buscar subterfúgios para voltar a plantar a reforma".

Chávez anunciou uma nova "ofensiva" pela reforma e revelou na quarta-feira que a saída política que encontrou diante do resultado apertado do referendo de domingo foi optar por uma "boa derrota" e não por uma vitória "catastrófica", qualificando a o triunfo do 'Não' como uma "vitória de m...".

Exército nega pressão

O alto comando militar da Venezuela, por sua vez, negou que tenha pressionado o presidente Hugo Chávez a reconhecer e aceitar a derrota no referendo.

Durante uma entrevista coletiva convocada na última quarta, o ministro da Defesa, Gustavo Rangel, disse que "o presidente é ‘impressionável’, ou seja, ninguém o pressiona”.

A reação veio depois que o jornal de oposição "El Nacional" publicou um artigo em que dizia que um grupo de militares ligado ao ex-ministro da Defesa Raúl Isaías Baduel teria pressionado o líder venezuelano a acatar a derrota ainda no domingo, antes mesmo do fim da apuração dos votos.

Decisão coletiva

O ex-general de Divisão, Alberto Müller Rojas, confirmou à BBC Brasil que no domingo o presidente se reuniu com o alto comando militar.

“Houve uma decisão coletiva em que se determinou que não seria prudente esperar a contagem de todos os votos para reconhecer a derrota. Não houve pressão”, reitera Müller Rojas, que até poucos meses ainda atuava nas Forças Armadas .

Para Müller Rojas, a polêmica teria como objetivo “construir uma visão junto à opinião pública de que as Forças Armadas são contrárias ao projeto socialista de Chávez, o que não é verdade”, afirmou.

Último Segundo, AFP e BBC

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