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Greve no sistema de transportes contra reformas de Sarkozy paralisa França
14-Nov-2007
Pela segunda vez em menos de um mês, a França despertou nesta quarta-feira com paralisação nos transportes públicos, no primeiro dia de greve dos trabalhadores ferroviários e metroviários, provocando congestionamentos de 350 km. Há apenas seis meses no cargo, o presidente Nicolas Sarkozy enfrenta a mais forte onda de protestos setoriais contra seus projetos de reformar a previdência social, o ensino superior e o Poder Judiciário. Na Alemanha, o sindicato dos maquinistas organiza a maior greve desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os sindicatos franceses esperam renovar e, inclusive, superar, o êxito do primeiro dia de greve, em 18 de outubro, que conseguiu uma obediência recorde contra esta medida do programa do presidente Nicolas Sarkozy.

Nesta quarta-feira, somente 20% a 25% dos trens circulavam na rede ferroviária nacional. O tráfego era superior ao registrado no dia 18 de outubro, quando apenas 5% a 10% dos trens estavam funcionando. A greve provocou na manhã desta quarta-feira cerca de 350 km de engarrafamentos acumulados, sobretudo nos arredores da capital.

Franceses usaram bicicletas
oara fugir do caos no trânsito
De acordo com a diretoria da SNCF, a greve, que contava com o apoio de sete dos oito sindicatos, era observada por 61,5% dos motoristas de trem, contra 73,5% em outubro.

Ao contrário, o tráfego dos Eurostar (Paris-Londres) e dos Thalys (Paris-Bruxelas, Paris-Amsterdã e Paris-Colônia) está quase normal, apesar de alguns atrasos. Em Paris, um metrô em cada cinco estava funcionando, assim como 15% dos ônibus.

No setor da energia, a greve estava "muito forte", segundo a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). No entanto, a diretoria da EDF, a estatal francesa de eletricidade, também considerou o movimento mais fraco que o de 18 de outubro.

O secretário-geral da presidência, Claude Guéant, anunciou que o poder aceitou "negociações por empresas nas quais o estado será representado", como havia sugerido terça-feira a CGT, o maior sindicato da França.

Prova de fogo

Esta greve foi decidida para protestar contra a reforma do sistema de aposentadorias especiais, que prevê o aumento de 37,5 para 40 anos da duração da contribuição para receber aposentadoria integral. Cerca de 500.000 pessoas se beneficiam deste sistema de aposentadorias especiais.

As paralisações são consideradas um dos principais desafios ao programa de reformas anunciado pelo presidente francês. Estima-se que a greve geral afetará milhões de usuários do transporte público na França. "Milhões de franceses serão privados de sua liberdade fundamental, a liberdade de ir e vir, e talvez até de trabalhar", disse ontem o primeiro-ministro da França, François Fillon, ao Parlamento.

Sarkozy, eleito há seis meses, reiterou diversas vezes que não cederá e que irá "até o fim". "Nada vai me desviar do meu objetivo", reafirmou nesta terça-feira o presidente francês diante dos membros do Parlamento Europeu, em Estrasburgo (leste da França).

Criticado de forma virulenta pela oposição socialista, o chefe de Estado conta com o apoio da maioria da população. De acordo com uma pesquisa publicada nesta terça-feira pelo jornal de esquerda Libération, 59% dos franceses apóiam a reforma proposta por Sarkozy.

Entretanto, segundo o mesmo estudo, a ação do presidente da França no âmbito da recuperação do poder aquisitivo - o tema que mais preocupa os franceses - foi reprovada por 79% da população.

Oposição estudantil

Os estudantes universitários protestam contra outra reforma - a que prevê a autonomia financeira e administrativa das faculdades. O movimento vem ganhando força nos últimos dias.

Ontem, estudantes universitários bloquearam 13 de 85 universidades públicas exigindo a revisão da Lei Pecrèsse, que em agosto concedeu autonomia financeira às instituições. A cruzada contra o governo se estenderá até o dia 20, quando juízes devem parar em protesto contra o fechamento de tribunais no interior do país.

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