| Ex-presidente francês Jacques Chirac é indiciado por desvio de verba |
| 21-Nov-2007 | |
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Seis meses depois de sua saída do poder, o ex-presidente francês Jacques Chirac, 74 anos, foi indiciado nesta quarta-feira por "desvio de verbas", num caso que remonta à época em que ele era o poderoso prefeito de Paris.
Trata-se da primeira vez que um ex-presidente da República francesa é incriminado desta forma pela justiça. Chirac foi indiciado por um caso de supostos empregos pagos pelo gabinete do prefeito de Paris antes de 1995 que beneficiaram pessoas próximas ao RPR, o partido do ex-presidente, que se transformou no atual UMP, no poder. Chirac foi ouvido durante três horas no palácio de justiça de Paris. Justificando sua ação, o ex-presidente afirmou que não enriqueceu pessoalmente, numa declaração ao jornal Le Monde publicada no momento do anúncio do indiciamento. No entanto, a decisão teve o impacto de uma bomba em Paris - a juíza Xavière Simeoni considera dispor de "indícios graves e concordantes" contra Chirac. Depois de 12 anos no comando do Estado, Chirac foi substituído, em 16 de maio, por Nicolas Sarkozy. Em 17 de junho, ele perdeu a imunidade da função presidencial e voltou a ser, do ponto de vista judiciário, um cidadão comum. Jacques Chirac tem sido discreto desde sua aposentadoria. Como ex-presidente, ele possui cadeira vitalícia no Conselho Constitucional, a mais alta instância judiciária da França. Seu nome apareceu diversas vezes em casos em que foram condenados vários de seus correligionários, como o ex-primeiro-ministro Alain Juppé. O advogado de Chirac procurou minimizar o indiciamento de seu cliente, que qualificou de "procedimento lógico". "Não se pode interrogar alguém em um caso que dura há tantos anos sem indiciá-lo", explicou, destacando que "várias pessoas" foram incriminadas antes de Chirac. Vinte pessoas são suspeitas de ter favorecido próximos ou se beneficiado diretamente de tais empregos nas décadas de 80 e 90, do tempo dos prefeitos Jacques Chirac (1977-1995) e Jean Tibéri (1995-2001). Em sua tribuna no Le Monde, Chirac admitiu ter "desejado ou autorizado" as contratações e afirmou que elas eram "legítimas e necessárias". "Os recursos da prefeitura de Paris nunca foram utilizados para outra função que não seja beneficiar diretamente os parisienses. Nunca houve enriquecimento pessoal", escreveu Chirac. Os policiais também estão investigando neste caso a filha do ex-presidente, Claude Chirac, conselheira na prefeitura de Paris de 1989 a 1993. Os fiéis de Chirac elogiaram nesta quarta-feira sua "dignidade". O deputado socialista Arnaud Montebourg, que havia combatido a impunidade do ex-presidente, afirmou que esta decisão constitui para ele uma "vitória". Jacques Chirac, que teria, segundo a imprensa, passado por um momento de depressão depois de deixar o poder, prepara a criação de uma fundação dedicada ao meio ambiente e ao desenvolvimento. Sua esposa Bernadette o descreveu recentemente como "um aposentado como outros, que quer ser útil" à sociedade. AFP Comentários (0)
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