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Ex-presidente do Camboja é preso para ser julgado por genocídio
19-Nov-2007
O ex-presidente do Camboja Khieu Samphan, que governou durante o regime do Khmer Vermelho, foi preso hoje pela Polícia por seu envolvimento no genocídio ocorrido no país e será julgado pelo tribunal internacional junto a outros quatro membros ligados à cúpula do grupo extremista. Os agentes detiveram Samphan na saída do hospital no qual foi internado na quarta-feira, após sofrer um infarto, e que deixou escoltado pelas forças de segurança e com as mãos ao alto, antes de ser levado em um furgão blindado, informaram fontes médicas e policiais.

O ex-dirigente do Khmer Vermelho será provavelmente acusado de crimes contra a humanidade no tribunal internacional, formado por juízes cambojanos e apoiado pelas Nações Unidas, que é encarregado de julgar as atrocidades cometidas pelo grupo maoísta durante os quase quatro anos que se manteve no poder, de abril de 1975 a janeiro de 1979.

Fontes oficiais disseram que Samphan está à espera de uma acusação formal junto com o seu advogado e amigo pessoal, o francês Jacques Vergès, que defendeu o terrorista venezuelano conhecido por "Carlos" e o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.

Samphan, de 76 anos, será o quinto membro da cúpula do Khmer Vermelho a ser processado, depois que o tribunal confirmou, na semana passada, as acusações de crimes contra a humanidade ao ex-ministro de Assuntos Exteriores Ieng Sary, também acusado de crimes de guerra, e a sua mulher Ieng Thirith, ex-ministra de Assuntos Sociais.

Além de Sary e Thirith, detidos na terça-feira, Nuon Chea, o "número dois" do grupo e ex-braço direito de Pol Pot, líder máximo do Khmer Vermelho morto em 1998, também será julgado.

Completa a lista Kang Keng Iev, conhecido como "Duch", que está preso desde 1999 e dirigiu o centro de detenção de presos políticos de Tuol Sleng, em Phnom Penh.

Há uma semana, Samphan foi levado de helicóptero de sua residência em Pailin, a antiga base do Khmer Vermelho no oeste do país, para um hospital da capital para receber tratamento médico, por iniciativa pessoal do primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, um ex-comandante do Khmer Vermelho que se tornou aliado dos vietnamitas em 1977, quando aumentaram as deserções na organização.

Os defensores da realização do julgamento acreditam que o ex-presidente proporcionará um testemunho vital sobre as ações do Khmer Vermelho e que sua possível morte antes de depor representaria um sério revés ao processo, que tem previsão de início em 2008.

Conhecido pelas fortes críticas contra o Governo do golpista Lon Nol no começo dos anos 70, Samphan foi um dos fundadores do movimento comunista cambojano e leal servo de Pol Pot até o último momento.

Em abril de 1976, ele assumiu, em substituição do então príncipe Norodom Sihanouk, a Chefia do Estado da "Kampuchea Democrática" por ordem direta de Pol Pot, o "irmão número um".

Depois que as tropas vietnamitas provocaram a queda do regime maoísta, em janeiro de 1979, Samphan participou do Governo no exílio e das negociações de paz primeiro com a ONU e, mais tarde, com Hun Sen, o futuro primeiro-ministro, que após a morte de Pol Pot ofereceu uma anistia em troca de apoio ao novo Executivo.

Posteriormente, Hun Sen retirou a proposta feita a Samphan perante a rejeição da opinião pública e da comunidade internacional.

Nos últimos anos, Samphan viveu de forma confortável em sua modesta casa de Pailin, perto da residência de Nuon Chea, com quem compartilhará o banco dos réus no julgamento preparado pelo tribunal.

O tribunal convocou este mês as primeiras testemunhas, três cambojanos que foram torturados no centro de interrogatórios de Tuol Sleng, onde se ordenou a execução de cerca de 14 mil pessoas.

Samphan, cada vez que foi perguntado sobre os massacres, assegurou que "estava ocupado com o trabalho" e que não se deu conta do caráter sangrento que a revolução adquiriu.

Quase 2 milhões de pessoas morreram em função da crise de fome, doenças e no transcurso das execuções ordenadas pela cúpula do Khmer Vermelho.

EFE
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