| Distúrbios nos subúrbios da França são mais ameaçadores do que os de 2005 |
| 28-Nov-2007 | |
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Dois anos depois que os subúrbios da França, cheios de imigrantes, explodiram de raiva, os rituais e atos de ressentimento ressurgiram com uma assustadora semelhança: gangues entrando em conflito com forças policiais, o governo pedindo por calma, moradores reclamando que são ignorados.
E apesar da escala dos distúrbios dos últimos dias ainda não se comparar com a violência de três semanas em centenas de subúrbios e cidades em 2005, um novo fator os tornam, de certa maneira, mais ameaçadores. As pessoas que jogavam pedras e queimavam carros se armaram com revólveres e os voltaram para a polícia. Mais de 100 oficiais ficaram feridos, vários seriamente, disse a polícia. Trinta deles foram atingidos com projéteis de armas e um foi atingido com uma espécie de bala usada para matar grandes caças, disse o porta-voz da polícia, Patrice Ribeiro, em uma entrevista. Um oficial perdeu um olho; o ombro de outro foi destruído por tiros. É legal ter uma arma de fogo na França – se o dono tiver uma licença – e círculos da polícia ouviram rumores de que jovens estavam procurando mais armas. “Isso é uma verdadeira guerrilha”, Ribeiro disse para a rádio RTL, avisando que a polícia, que lutou para evitar o uso da força excessiva, não será alvo indefinidamente sem reagir. Os eventos dos últimos dias deixam claro que as causas fundamentais da frustração e raiva – particularmente entre a juventude desempregada e sem educação, em grande parte descendente de imigrantes árabes e africanos – permanecem as mesmas. “Ouvimos promessa depois de promessa, mas nada foi feito nos subúrbios desde os últimos conflitos, nada”, disse François Pupponi, o prefeito socialista de Sarcelles, que foi atingida pela violência, em uma entrevista. “Os subúrbios são um barril de pólvora. Existem pessoas em circunstâncias sociais terríveis, além de toda a raiva, preconceito, rumores. E o que você precisa é de uma faísca para incendiar tudo de novo”. Na terça-feira, houve os primeiros sinais de que a violência estava se espalhando para além da região de Paris, onde dezenas de carros foram incendiados em Toulouse, no sul da França. O presidente Nicolas Sarkozy, ainda cambaleando das greves massivas no sistema de transportes e protestos estudantis esse mês, provavelmente não usará os distúrbios atuais como uma forma de se tornar introspectivo ou descarregar demais sua raiva naqueles que ele uma vez chamou de “escória”. Na terça-feira, o primeiro-ministro Francois Fillon disse ao Parlamento que os conflitos eram “inaceitáveis, intoleráveis e incompreensíveis”, prometendo punição aos culpados. Elaine Sciolino, The New York Times Comentários (0)
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