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Raiz de Polon e GTCCPM-ICA na 15ª edição da Feira de Artes Cénicas da Galiza
12-Out-2007
A Lusofonia é o eixo central da 15ª edição da Feira de Artes Cénicas da Galiza, que entre 23 e 27 de Outubro leva ao público galego espectáculos de companhias de Cabo Verde, Portugal e Brasil. O certame, o mais prestigiado festival de teatro e dança realizado na Galiza, conta com as participações do grupo cabo-verdiano Raiz de Polon e da Companhia do Centro Cultural do Instituto Camões no Mindelo (Cabo Verde), com o espectáculo "Cloun Creolus Dei", uma co-produção com o Teatro Meridional (Portugal).

Participam ainda a Companhia Silvana Abreu, do Brasil, e a portuguesa Graça Ochoa/Circolando, com a peça infantil "A Galinha da Minha Vizinha", num programa conseguido com o apoio do Instituto Camões e do Ministério da Cultura.

O certame será apresentado terça-feira em Lisboa, na sede do Instituto Camões em Lisboa, onde estarão o director geral da Criação e Difusão Cultural da Junta da Galiza, Luís Bará, um representante do Instituto Galego das Artes Escénicas e Musicais e a presidente do Instituto Camões, Simonetta Luz Afonso.

Para os promotores do certame, a abertura à Lusofonia centra-se no reconhecimento de "todo o território de expressão portuguesa como o espaço natural mais próximo à Galiza, tanto cultural como geograficamente".

Em declarações à Lusa, Luís Bará, frisou que esta primeira presença de espectáculos do âmbito da lusofonia, será "uma linha que aumentará no futuro", tanto em espectáculos nesta feira como noutros certames e eventos.

Além dos espectáculos, espera-se que a feira ajude a fomentar a circulação de espectáculos galegos nos palcos portugueses, a presença de agentes culturais lusos na Galiza e a aproximação ao público galego da oferta cénica portuguesa.

Considerada um "momento de inflexão", a edição deste ano começará a criar um espaço de mercado onde será oferecido um serviço aos programadores dos diferentes teatros, circuitos e redes de programação para a contratação de espectáculos para a seguinte temporada.

"A feira é um evento que tem um componente de festival e outra de mercado, intercâmbio e contratação. Há muitas possibilidades de ampliar a articulação de espectáculos pelo circuito da Galiza, abrindo caminho à maior presença da cultura portuguesa noutras partes do estado espanhol", frisou Luís Bará.

O objectivo é colmatar o que para o responsável espanhol é ainda a falta de conhecimento mútuo dos projectos culturais feitos tanto em Portugal como em Espanha, um afastamento que "não corresponde à proximidade que existe, geográfica, cultural e linguisticamente".

"Tem havido muitos projectos, mas até agora avançou-se muito pouco e não há um conhecimento directo e amplo dessa produção e criação cultural. Estamos convencidos de que novas relações e novos acordos podem abrir muitas portas para um conhecimento mais amplo das culturas dos dois países, nos dois sentidos", sublinhou.

Luis Bará considera que se deve procurar cimentar os laços entre a Galiza e Espanha, e Portugal e a Lusofonia, apostando em áreas como as feiras e os espaços audiovisuais, literário, de banda desenhada e de música.

Mais do que numa simples exibição, defende, deve procurar apostar-se também em projectos conjuntos de criação cultural.

"Temos que criar espaços tanto na Galiza como em Portugal e noutros países lusófonos, onde haja esta convivência e este encontro, para fomentar uma presença maior e mais regular", disse.

"Co-produções podem ajudar a estabelecer um relacionamento mais estreito, garantindo que a aproximação se consolida já a partir da fase de criação", disse.

Além das quatro companhias lusófonas, a edição deste ano da feira conta com espectáculos de 21 companhias galegas.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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