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Lisboa: Mayra Andrade abre quinta-feira África Festival
27-Jun-2007

A cabo-verdiana Mayra Andrade, recentemente distinguida com o Prémio da Crítica alemã pelo seu álbum «Navega», abre quinta-feira a primeira parte do África Festival, que decorre até sábado em Lisboa.

 O palco estará montado nos relvados frente à Torre de Belém, sendo Mayra a primeira a actuar, seguindo-se os Músicos do Nilo, um grupo de 10 elementos que representa a tradição cigana no mundo árabe.

Acompanham Mayra os seus músicos habituais, designadamente Nelson Ferreira (viola), Tarcísio Pinto Gondim (viola), Ricardo Fernando Pinto «Feijão» (baixo) e José Luís Nascimento (percussão).

Em declarações à Lusa, a cantora prometeu «soltar a música e deixá-la contagiar as pessoas».

Nas palavras da cantora, a música cabo-verdiana que interpreta é «aberta ao mundo, não fechada em si mesma» e é «simplista» deduzir que o facto de «soar diferente da tradicional» se deve a «influência brasileira».

Nascida em Cuba e tendo vivido em cinco países, pelo facto de o seu pai ser diplomata, Mayra insiste em que a sua música, não sendo «retintamente cabo-verdiana, não tem de ser puramente tradicional e está aberta a outras influências».

Os Músicos do Nilo que fecham o primeiro dia do Festival saltaram para a ribalta internacional em 1983 no I Festival Womad.

Em Lisboa vão apresentar o seu mais recente trabalho discográfico «Down by the river».

O Festival prossegue sexta-feira com Paulo Flores e os malianos Bassekou Kouyate.

Flores sobe ao palco acompanhado por Hélio Cruz (bateria), Boto Trindade (guitarra), Geremias Galheta (baixo), Joatan Nascimento (trompete), Rownie Scott (saxofonista), Serginho (trombone), João Ferreira (percussão) e Ciro Bertini (piano e acordeão).

O músico e compositor angolano comemora, este ano, 20 anos de carreira artística, marcada por vários êxitos de semba, música tradicional angolana.

No seu mais recente álbum, «Paulo Flores ao vivo», gravado em 2005 no Teatro Karl Marx de Luanda, o músico contou com as colaborações, entre outros, de Jaques Morelenbaum e Tito Paris.

O espectáculo em Lisboa insere-se na digressão que já o levou a S. Tomé e Príncipe, Chade, Guiné Equatorial e Gabão.

A segunda parte é preenchida pelo Bassekou Kouyate, um grupo que utiliza o «n´goni», um instrumento ancestral da cultura griot.

Este grupo, que participou no I África Festival, em 2005, ao lado de Ali Farka Touré, e toca música bambara da região Segu (Sul do Mali), apresentará em Lisboa as suas mais recentes composições, editadas no álbum «Segu blue».

O último dia desta primeira parte do África Festival, sábado, é preenchido pela camaronesa Sally Nyolo e o senegalês Baaba Maal.

Sally viveu em Paris desde os 13 anos, em 1997, venceu o Prémio RFI. Em 2005 abriu o seu próprio estúdio em Yaoundé, a capital dos Camarões, e gravou «Nyolo and the original bands of Yaoundé», cuja música parte do «bikutsi», ritmo tradicional daquele país da costa Ocidental africana.

O cantor, compositor e bailarino Baaba Maal encerra o terceiro dia apresentando vários dos seus sucessos, nos quais mistura a tradição musical fula e o mbalax a elementos do rap, pop, reggae e dance-hall.

As suas letras procuram chamar a atenção para os problemas que o continente africano enfrenta, nomeadamente o alastramento do HIV, a iletracia, a pobreza, a violência sobre as mulheres.

A segunda parte do África Festival decorrerá de 02 a 08 de Julho no Cinema S. Jorge e integrará concertos, debates e uma mostra de cinema documental africano.

Nesta segunda parte, entre outras iniciativas, Nancy Vieira irá apresentar o seu novo álbum, Jean-Yves Loude debaterá o seu livro «Lisboa na cidade negra» num colóquio, e realizar-se-á um workshop de kizomba orientado por Avelino Chambre.

Diário Digital / Lusa

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