CapaCultura Institutos lançam obra referencial da história de Cabo Verde
Institutos lançam obra referencial da história de Cabo Verde
01-Dez-2007
O grande público português e cabo-verdiano conta a partir desta sexta-feira com a primeira História Concisa de Cabo Verde, arquipélago que, afirma a autora Maria Emília Madeira Santos, demonstrou ser "o mais acelerado" dos países africanos lusófonos.
A História Concisa de Cabo Verde, uma parceria do Instituto de Investigação Científica e Tropical, de Portugal, e do cabo-verdiano Instituto da Investigação e do Patrimônio Culturais, consiste num resumo dos três volumes e 1.500 páginas daquela que é a obra de referência da historiografia do país: "A História Geral de Cabo Verde", publicada entre 1991 e 2002, também sob coordenação de Emília Madeira Santos.
"A diferença" entre as obras, afirma a coordenadora da equipe de investigadores dos dois países, está no acesso: "A nova permite o acesso por públicos não-especializados". Permite também um auditório "mais vasto, inclusive professores e estudantes portugueses e cabo-verdianos do ensino secundário".
A História Concisa de Cabo Verde deverá chegar às livrarias na próxima semana, com uma tiragem prevista de 5.000 exemplares, dos quais 4.000 vão para Cabo Verde.
O lançamento da obra, apoiada pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), aconteceu hoje no Instituto de Investigação Científica e Tropical (IICT), em Lisboa, e contou com a presença do embaixador de Cabo Verde, António Andrade Ramos.
A História Concisa abarca um período cronológico de mais de três séculos (de 1460 a 1778).
Para a coordenadora da obra, Cabo Verde "demonstrou uma capacidade grande de percorrer etapas" e um "ritmo de crescimento muito acelerado", quando comparado com o dos outros países africanos lusófonos, desde o período colonial e da escravatura até aos dias de hoje, em que está em vias de entrar no "clube" dos países de desenvolvimento médio e tornar-se parceiro da União Européia.
Sem avançar explicações para esse dinamismo, Emília Madeira Santos, salienta as particularidades do arquipélago: a identidade "muito especial" do cabo-verdiano - algures entre a européia e africana - e a "igualdade" que historicamente resulta do fato de "todos os homens que chegam àquela terra serem estrangeiros".
Cabo Verde, afirma, é "o primeiro cadinho de interação de povos e culturas européias e africanas", no século XV, teve na Ribeira Grande o primeiro centro urbano colonial nos trópicos, serviu de berço à sociedade crioula e foi pioneira na alforria (desobrigação) dos escravos, logo no século XVII, quando a escravatura se ia impondo em todo o mundo.
Emília Madeira Santos, ex-diretora do Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga do IICT, está atualmente a preparar um Álbum Cartográfico de Cabo Verde, a ser editado no próximo ano. Agência Lusa - www.lusa.pt
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