| Especialistas debatem importância da Cidade Velha na construção do Mundo Atlântico |
| 04-Out-2007 | |
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A Conferência Internacional, que decorre desde quarta-feira em Ribeira Grande de Santiago, sob o lema «Cidade Velha: O Futuro do Passado», tem suscitado um «aceso» debate entre especialistas oriundos de várias partes do mundo, no que tange à importância da Cidade Velha como referência histórico e cultural.
Segundo o porta-voz da Comissão de Candidatura da Cidade Velha a Património Mundial (CCVPM), José Maria Semedo, a explanação do professor Josep Miller – convidado dos EUA -, que evoca o Atlântico na construção do Mundo, faz referências notórias sobre a comercialização dos escravos que partiam da Ribeira Grande de Santiago e depois para o Continente Americano. «Nesta comunicação, o orador, que põe tónica na circulação da população em tráfico para as América, tenta demostrar a possibilidade de um contacto transatlântico com a utilização da corrente norte equatorial», explica. Nesta linha, garante José Maria Semedo, têm seguido as comunicações do dia de hoje, que, além de falar da comercialização dos escravos, abordam a importância de Cabo Verde na criação do Atlântico. Neste âmbito, o historiador cabo-verdiano, António Correia e Silva, com o seu tema «Ribeira Grande: Uma Experiência Fundadora na Construção do Mundo Atlântico», evidência factores da situação estratégica que privilegiava a comercialização e a navegação para outros pontos do mundo. É neste campo, segundo frisa na sua comunicação, que o espaço é pensado e construído nas suas virtualidades estratégicas e nas dimensões articuladas, onde é fundada uma cidade pelo e para o tráfico, e que se cria um quadro ecológico compósito, um modelo societal e um catolicismo reconstituído. Em declarações à Inforpress, José Maria Semedo, apesar de reconhecer a importância da Cidade de Ribeira Grande na construção do «Mundo Atlântico», admite, no entanto, que o facto da localidade não possuir grandes monumentos e obras cruciais, o seu reconhecimento como Património Mundial, será muito difícil se não houver um forte trabalho junto da Comunidade Internacional. «Em termos de construção não existe nada de original no que respeita à monumentalidade. Não é por esse caminho que vamos conseguir o estatuto de Património da Humanidade. Temos de usar argumentos no âmbito de património imaterial e de lugar de memória e importância no passado na circulação de plantas e animais e experiências de convivência entre povos e culturas dos mais diversos», defende. Durante a manhã de hoje, foram debatidos temas como o «Comércio negreiro atlântico e as expressões culturais contemporâneas» e «A problemática da gestão de lugares históricos: propostas para uma gestão sustentável». No período de tarde esta previsto o debate do painel «Gestão de lugares históricos: Cidade Velha reptos e perspectivas». A conferência, recorde-se, prossegue os trabalhos até amanhã, sexta-feira, devendo o encerramento ocorrer no período da tarde, em cerimónia presidida pelo Presidente da República, Pedro Pires. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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