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Conferência sobre Manuel Lopes encerra celebrações do Centenário da Geração Movimento Claridoso
14-Dez-2007
Uma conferência sobre a vida e obra do escritor Manuel Lopes, a decorrer durante os dias 15 e 16, no concelho do Porto Novo, em Santo Antão, encerra as comemorações do centenário do nascimento da geração do movimento claridoso, iniciadas no passado mês de Abril.
A conferência, cujo tema é "Manuel Lopes no Centenário da Geração do Movimento Claridoso", vai reunir na cidade do Porto Novo, neste sábado, 15, e domingo, 16, vários especialistas que vão apresentar comunicações relacionadas com a vida e a obra de Manuel Lopes.
A conferencista Isabel Lobo vai debater o tema "As convergências dos modernismos brasileiro e cabo-verdiano: Os Flagelados", enquanto que a professora Fátima Fernandes, do Instituto Superior de Educação, dissertará sobre o tema "Da fuga do destino ao destino da fuga – o reencontro com a Terra em Chuva Braba":
Além do debate em torno Manuel Lopes, realizar-se-á outras actividades paralelas. Para este sábado, será inaugurada, pelas 10h30, uma exposição subordinada ao tema "As ilhas de Santo Antão através dos documentos dos Instituto do Arquivo Histórico Nacional (I856-1948): Aspectos da Administração, da Economia e do Quotidiano", uma exposição/venda de publicações do Arquivo Histórico Nacional e de Livros cabo-verdianos, e a exposição de produtos artesanais, denominada "Porto Novo Rural, A Outra face dos flagelados do Vento Leste", organizada pelo Atelier Mar.
Da programação prevista para sábado, o destaque vai, ainda, para a apresentação do sketch sobre "Chuva Braba", iniciativa do grupo teatral Juventude em Marcha.
O dia do domingo, 16, estará reservado para uma deslocação à povoação de Lagedos, numa peregrinação chamada "Trilho Manuel Lopes/Baltazar Lopes".
Em entrevista à Inforpress, o ministro da Cultura, Manuel Veiga, explica o porquê da escolha de Santo Antão para a realização deste último momento comemorativo do centenário do nascimento da geração claridosa.
De acordo com Manuel Veiga, a escolha da ilha de Santo Antão deveu-se ao facto de Manuel Lopes ter vivido alguns anos nessa ilha, que serviu de cenário para a escrita de duas das obras, "O Flagelados do Vento Leste" e "Chuva Braba".
"A zona de Lagedos constitui, de facto, a diegética, o enredo da obra romanesca de Manuel Lopes. Será uma homenagem a Santo Anão e a Manuel Lopes. Sobretudo a Manuel Lopes, que nos deu duas grandes obras da literatura cabo-verdiana, sendo uma delas, a maior, no meu ver, a "Chuva Braba", disse o ministro.
Se o ideário programático de Claridade foi o fincar os pés no chão, "Chuva Braba" é, verdadeiramente, segundo Manuel Veiga, um romance de fincar os pés no chão.
Na sua intervenção, que vai acontecer no sábado, o titular da pasta da Cultura explicou à Inforpress que não vai fazer um discurso político, mas irá apresentar uma comunicação cultural, cujo tema tem a ver com a "Chuva Braba".
O governante admitiu que é propósito do Ministério da Cultura mandar construir um memorial em homenagem ao Manequim, a personagem central de "Chuva Braba".
Para Manuel Veiga, Manequim merece esse memorial, pelo que o seu ministério vai inscrever essa preocupação na sua agenda de realizações culturais para os próximos tempos.
"Acredito que um dia vamos inaugurar esse memorial, como forma de homenagear Manuel Lopes, a ilha de Santo Antão e ao povo de Cabo Verde, em geral, porque o Manequim, apesar de ser naturalmente de Santo Antão, é também de Cabo Verde", explica Manuel Veiga.
Manuel Lopes, nascido a 23 de Dezembro de 1907, em São Nicolau, morreu em 2005, aos 97 anos, em Portugal, onde residia, havia 40 anos.
Fundador com Baltasar Lopes da Silva e Jorge Barbosa da revista Claridade, Manuel Lopes integra por isso a galeria dos fundadores da moderna literatura cabo-verdiana. Os seus romances "Chuva Braba" e "Flagelados do Vento Leste" são, segundo o jornalista José Vicente Lopes, ainda hoje exemplos da definição dos contornos dessa ficção nascida nos anos 40, com a publicação de "Chiquinho", do seu colega Baltasar Lopes da Silva.
Diversas manifestações artísticas e culturais, como exposição nacional de artes plásticas e livros, noite de música e poesia, lançamento de livros, além de conferências marcaram as celebrações do I Centenário do Nascimento da Geração do Movimento Claridoso.
O programa comportou três "momentos altos": o primeiro em Abril, por ocasião da data de nascimento de Baltazar Lopes da Silva, com a realização de um simpósio sobre a Geração Claridade", na Praia e o segundo momento, em Outubro, Dia Nacional da Cultura, celebrado sob o signo da Claridade em São Vicente.
Mas houve outros tantos "momentos" nas ilhas de Fogo e Brava e na diáspora, nomeadamente em Portugal e Itália.
O terceiro momento alto, marcado para este sábado, coincidirá com o centenário de nascimento de Manuel Lopes, nascido não em São Vicente como, erradamente, é apresentado, mas em São Nicolau.
Inforpress - www.inforpress.cv
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