| Cantor cabo-verdiano Nelson Freitas discriminado em Angola |
| 16-Jul-2007 | |
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O produtor musical angolano Caló Pascoal reprovou nesta segunda-feira, em Luanda, a atitude dos promotores culturais do país, que têm vindo a fazer corredores para impedir a venda de discos estrangeiros na Portaria do Cine Atlântico.
Falando à representação da Agência Noticiosa de Cabo Verde (Inforpress) em Angola, o também responsável da Quebra Galho Produções lamentou o facto de alguns colegas não terem visto com bons olhos a sessão de comercialização e assinatura de autógrafos da obra "Magic", realizada domingo, naquele local, pelo músico cabo-verdiano Nelson Freitas. Caló Pascoal considerou normal, num mundo globalizado, dar-se oportunidades do género a músicos e escritores estrangeiros, embora os agentes manifestantes considerem haver, nos países destes, pouca ou até nenhuma abertura aos criadores angolanos. Para aquele grupo de produtores e promotores de eventos, ceder a portaria a artistas de outros países significa "retirar" espaço aos profissionais de Angola, em termos comerciais, posicionamento este que Caló Pascoal considera ter poucos fundamentos. "Eu já sei de onde partiu esse aparente protesto. Quero dizer que se trata de inveja. A ida daqueles profissionais à portaria permite-nos estabelecer um intercâmbio salutar, salvaguardando assim o princípio da irmandade e de solidaridade entre nós", manifestou. Ele é de opinião que a música e os músicos não devem ter fronteiras, tendo justificado a dificuldade de os cantores nacionais "furarem" o mercado estrangeiro com o facto de faltar a muitos promotores agressividade no aspecto da distribuição dos discos. "Nós temos tido oportunidades para cantar lá fora, particularmente em Cabo Verde, país do Nelson Freitas. Alguns músicos nossos têm lançado e vendido obras em Portugal, por exemplo. Isso não é só nas casas de disco", lembrou o autor de "Fim do Mundo". A sua opinião foi partilhada por Alcas Fernandes, responsável da editora e gravadora Woofer Audio, para quem não há razões objectivas e capazes de impedir a ida desses músicos estrangeiros à portaria do Cine Atlântico. Disse tratar-se de um espaço legalizado e com impostos pagos, daí que os seus gestores tenham, na sua opinião, liberdade para negociar com quem quiserem a venda de CD. "Esse problema podia ser posto na portaria da Rádio Nacional de Angola, aberta exclusivamente para ajudar os artistas nacionais. Por ser um órgão oficial do Estado, não ficava bem comercializar lá as obras de criadores de outros países. Mas a filosofia do Atlântico é outra", sustentou o editor, também em declarações à Inforpress. Para Alcas Fernandes, é muito normal a presença de artistas como Nelson Freitas naquele espaço cultural de Luanda, tendo em conta o número de fãs que arrasta e, principalmente, a sua disponibilidade em ajudar os cantores angolanos. "O Nelson é praticamente um filho de casa. Sempre trabalhou conosco. Não é bom termos esse tipo de atitudes com ele, porque muitos de nós ainda vão querer trabalhar com aquele talentoso produtor crioulo", alertou. AngolaPress - www.angolapress-angop.ao Comentários (0)
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