| Zimbabué não vai dominar cimeira de Lisboa, prevê MNE de Moçambique |
| 04-Dez-2007 | |
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A crise no Zimbabué e a presença de Robert Mugabe não vão concentrar as atenções na Cimeira UE/África já que a reunião do próximo fim-de-semana, em Lisboa, tem "uma agenda muito específica" que limita a introdução imprevista de temas.
A convicção foi expressa, em declarações à Agência Lusa, pela ministra dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Alcinda Abreu, que integra a representação de Maputo na reunião de sábado e domingo, na capital portuguesa. "Esta cimeira tem uma agenda muito concreta e específica e, pelo que pude apreciar, o Zimbabué não é parte da agenda. Não vejo possibilidade de polarização porque a agenda não inclui discussão nenhuma sobre o Zimbabué", disse. Na semana passada, o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, afirmou que o tema das sanções impostas pela União Europeia ao Zimbabué não estará na agenda da II Cimeira UE-África e que a crise neste país africano será apenas uma "nota de rodapé" na reunião de Lisboa, dada a "importância histórica" do encontro para o relacionamento entre a Europa e África. Também o primeiro-ministro português, José Sócrates, manifestou recentemente o desejo que a Cimeira UE/África se concentre "nos documentos que vão ser aprovados e não no Presidente Robert Mugabe". Contudo, no final de Novembro, os ministros dos negócios estrangeiros dos "27" reunidos em Bruxelas decidiram confrontar o Presidente do Zimbabué com a falta de democracia e desrespeito pelos direitos humanos no país quando se deslocar a Lisboa para a cimeira. O governo moçambicano tem uma elevada expectativa de que a II cimeira UE/África "não seja apenas mais uma cimeira", mas que se traduza em "acções com actividades muito concretas que possam ser realizadas". "Para esta cimeira houve um trabalho aturado de preparação", disse Alcinda Abreu. "Penso que para esta cimeira há uma preocupação, não só dos temas a serem discutidos, como também das decisões que vão ser tomadas para esta estratégia a longo prazo de cooperação, com um plano já para os dois anos imediatos da realização da cimeira", especificou a ministra dos Negócios Estrangeiros de Moçambique. A expectativa de Maputo está sobretudo no plano de acção 2008-2009, relativo a oito grandes áreas que, a par da estratégia conjunta de cooperação e da declaração, deverão constituir os três documentos-base a aprovar pelos chefes de estado e de governo da Europa e África em Lisboa. "Penso que, a serem adoptadas, a estratégia e o plano de acção são um passo importante", referiu Alcinda Abreu. "Tudo vai depender depois dos mecanismos que forem definidos para dar seguimento que, semestral e anualmente, possam avaliar se estamos a avançar ou não na aplicação do plano de acção", acrescentou. Para a reunião do próximo fim-de-semana, a grande preocupação de Moçambique centra-se em "tudo o que tenha a ver com a redução da pobreza", frisou a chefe da diplomacia moçambicana. "Esta é a nossa grande prioridade", frisou. "Nas questões de desenvolvimento e mudanças climáticas, no comércio e infra-estruturas, saúde e HIV/SIDA, encontramos um pouco estas prioridades. Estes temas estão integrados e estão inseridos na documentação desta cimeira", adiantou. Alcinda Abreu elogiou ainda a Presidência Portuguesa por ter conseguido "implementar uma decisão que estava pendente", relativamente à realização da II cimeira UE/África (a última realizou-se no Cairo, em 2000, numa altura em Lisboa exercia também a Presidência rotativa da UE). "Portugal inscreveu na sua agenda que se pudesse realizar esta cimeira, que já vinha sendo adiada há muito tempo. Foi uma boa iniciativa porque finalmente estamos a ver que Portugal conseguiu, em conjunto com os restantes países da UE e União Africana, chegar a um entendimento de que era necessário realizar a cimeira", comentou. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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