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São Tomé e Príncipe: Primeiro-ministro lamenta morte de polícia e condena assalto ao Comando-Geral
05-Nov-2007
O primeiro-ministro são-tomense lamentou a morte de uma agente da polícia, abatida já depois de concluída a operação militar realizada na madrugada de domingo para pôr cobro a novo motim de elementos das forças de elite. Em declarações à RDPÁfrica, Tomé Vera Cruz considerou "irresponsável" a "atitude" de cerca de uma dezena de elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR, conhecidos localmente por "ninjas"), que ocupou sábado, pela terceira vez em menos de um mês, a sede do Comando-Geral da Polícia, em São Tomé.

A operação, lembrou o chefe do executivo são-tomense, decorreu "como previsto", sem a perda de vidas humanas e realizou-se na madrugada de domingo, a partir das 03:00 locais (mesma hora em Lisboa), tendo as Forças Armadas "libertado" a sede policial.

"Mas, cerca das 10:00 de domingo, um grupo de "ninjas" tentou furar a barreira policial em torno da sede da polícia, o que levou a desacatos que provocaram a morte de uma agente e ferimentos em dois outros, um deles em estado grave", precisou Tomé Vera Cruz.

Em Outubro último, cerca de 100 "ninjas" já haviam ocupado o Comando-Geral da Polícia durante cerca de duas semanas para exigir o pagamento dos subsídios resultantes da sua formação em Angola em 2003.

A este propósito, o primeiro-ministro são-tomense afirmou "desconhecer as razões" para esta nova ocupação, uma vez que o que fora combinado entre governo e "ninjas" estava a ser cumprido na íntegra.

"Combinou-se a 19 de Outubro que teríamos duas semanas para resolver o problema e encontrar uma data para pagar o último mês dos subsídios. Esse prazo terminava dia 03. E ainda sem que o prazo estivesse cumprido, invadiram novamente a sede" policial", afirmou Tomé Vera Cruz.

Também o ministro da Defesa e Ordem Pública são-tomense, Óscar de Sousa, lamentou os acontecimentos de sábado e domingo e adiantou que a polícia e as Forças Armadas já prenderam 10 dos "ninjas" envolvidos nos desacatos.

Questionado sobre o prazo dado aos "ninjas" para deporem as armas, dado pelas Forças Armadas são-tomenses, Óscar de Sousa reconheceu que "não foi cumprido".

As Forças Armadas são-tomenses deram domingo de manhã um prazo até às 15:00 locais para que os "ninjas" entregassem voluntariamente as armas no Estádio de São Tomé.

"Devido a circunstâncias várias, o prazo não foi cumprido. Mas está já uma operação em curso, casa a casa, porta a porta, para capturar os faltosos", sublinhou o ministro da Defesa são-tomense, acrescentando que, até ao fim do dia de hoje, haverá mais novidades.

O exército de São Tomé e Príncipe tomou domingo de madrugada de assalto a sede da polícia, depois de ter sido novamente ocupada por membros das forças especiais, os "ninjas", que se amotinaram para reclamar o pagamento de indemnizações em atraso.

"As Forças Armadas de São Tomé e Príncipe ocuparam o comando geral da polícia nacional para repor a ordem na instituição", afirmou o comandante do exército são-tomense, tenente-coronel Idalécio Pachire, num comunicado lido na rádio nacional.

"Desta forma, foi posto fim ao motim", acrescentou, sublinhando que as Forças Armadas prenderam cerca de uma dezena de membros daquela unidade de elite da polícia são-tomense.

Alguns elementos da PIR em fuga já fizeram saber que, caso se registem baixas, vão levar a cabo um contra-ataque, pelo que, caso se concretize, São Tomé e Príncipe poderá conhecer a primeira guerrilha urbana da sua história.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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