CapaCPLP Moçambique: 500 mulheres voluntárias submetem-se a estudos clínicos de microbicida
Moçambique: 500 mulheres voluntárias submetem-se a estudos clínicos de microbicida
19-Dez-2007
Quinhentas mulheres moçambicanas vão submeter-se voluntariamente a um ensaio clínico de uma nova microbicida vaginal, um gel que se espera poder servir como alternativa ao preservativo e prevenir infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.
O ensaio será realizado a partir do próximo ano pelo Centro de Investigação de Saúde da Manhiça (CISM), na província de Maputo, instituição internacionalmente reconhecida por há muito desenvolver pesquisas de vacina da malária, num projecto financiado também pela Fundação Bill e Melinda Gates.
A introdução do projecto de microbicida foi lançada segunda-feira na Manhiça por iniciativa da presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, viúva do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, e actualmente casada com Nelson Mandela, líder histórico do Congresso Nacional Africano (ANC) e primeiro presidente da África do Sul democrática, após o fim do regime de "apartheid".
O projecto tem parceria do Ministério da Saúde, da Universidade Eduardo Mondlane e o Programa do Desenvolvimento de Microbicidas (MDDP).
Falando na cerimónia do lançamento, no distrito da Manhiça, Graça Machel admitiu que, como qualquer inovação, o ensaio clínico pode deparar com alguma resistência, mas declarou-se optimista pelo anterior "exemplo de sucesso" do CISM na investigação de vacinas para o combate à malária.
"O Centro de Investigação da Manhiça já demonstrou ao mundo que os moçambicanos têm capacidade para lutar contra os problemas que os afectam. A vacina contra a malária em crianças é disso exemplo", disse Graça Machel, viúva do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel.
Sibone Mucumbi, médico envolvido no projecto, explicou que a ideia é passar para a fase do ensaio com um universo de 500 mulheres, esperando-se que 250 sejam do distrito da Manhiça e outras 250 da cidade de Maputo.
No início deste ano, investigadores puseram fim a estudos de um microbicida vaginal, o Ushercell, que se esperava poder prevenir a infecção pelo HIV após resultados terem demonstrado que o gel em causa parecia aumentar o risco de contrair o vírus da SIDA.
Um estudo envolvendo 1.500 mulheres na África do Sul, Benim, Uganda e Índia foi interrompido, depois de uma monitorização independente ter concluído que havia mais mulheres infectadas entre as que estavam a usar o gel do que entre as que não o faziam.
Um outro estudo do Ushercell - um gel com sulfato de celulose e um componente feito à base de algodão, desenvolvido pela farmacêutica canadiana Polydex Pharmaceuticals -, que envolvia 1.700 mulheres na Nigéria, foi suspenso por precaução, pois, neste caso não foi detectado um maior número de infecções pelo HIV entre as utilizadoras do fármaco.
A Organização Mundial de Saúde considerou que os resultados dos estudos decorridos em África e na Índia foram "uma desilusão e um inesperado recuo" nos esforços de encontrar um meio simples de as mulheres tentarem evitar o contágio do HIV através das relações sexuais.
Mais de metade do total de infecções pelo HIV em África regista-se em mulheres e raparigas, pelo que os cientistas procuram encontrar um meio destas se protegerem, mesmo sem o conhecimento dos seus parceiros, uma vez que estes se recusam, muitas vezes, a usar preservativo.
Agência Lusa - www.lusa.pt
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