A publicação da VozDiPovo-Online foi descontinuada a 21 de Dezembro de 2007 e estará totalmente offline a 01 de Junho de 2008 e passou para o http://arquivo.vozdipovo-online.com a 20 de Junho de 2008.
Guiné-Bissau: Falta de tudo provoca agitação social em vésperas de Conselho de Estado
01-Dez-2007
A falta de dinheiro, de água, de luz, de trabalho e o aumento dos bens de consumo na Guiné-Bissau têm provocado agitação social, sobretudo na capital do país, com várias greves a decorrerem em simultâneo com manifestações de estudantes.
Embora a resignação seja o sentimento geral transmitido pela maior parte dos guineenses, funcionários públicos e estudantes têm nas últimas semanas protagonizado alguma agitação social.
Com vários meses de salários em atraso, professores, funcionários do correios e do sector de saúde optaram pela greve como forma de protesto "surdo", porque o governo continua sem verba para pagar ordenados, apesar dos constantes apelos dirigidos à comunidade internacional de apoio ao país.
"Este governo, em si, não deve a ninguém, mas é responsável pela gestão dos problemas do passado que existem", afirmou o primeiro-ministro guineense, Martinho N`Dafa Cabi, após a aprovação pelo parlamento do programa de governo, que precisa, contudo, de financiamento para ser executado.
O chefe do executivo considerou igualmente que o "governo vai tentar resolver o problema das reivindicações, caso dos salários, de forma a ultrapassar a onda de greves".
Paralelamente à crise social existente no país, outros protestos têm provocado agitação, nomeadamente as acusações da organização guineense Movimento da Sociedade Civil contra o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé N`Wae.
Quinta-feira, num comunicado divulgado à imprensa, a organização acusou o CEMGFA de dirigir a política do país contra a Constituição e de interferir na demissão do antigo ministro da Administração Interna da Guiné-Bissau, Baciro Dabó, bem como em outros assuntos essencialmente políticos, como a demissão e nomeação de pessoas para cargos públicos.
Próximo do presidente "Nino" Vieira, Baciro Dabó foi exonerado e afastado da máquina governativa guineense, tendo recebido sexta-feira ao final da tarde o seu cartão de militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), maior força política da Guiné-Bissau.
O afastamento de Baciro Dabó do aparelho de Estado foi mais um passo para o isolamento do presidente "Nino" Vieira, segundo analistas políticos, para quem é visível o apoio das forças armadas ao governo de Martinho N`Dafa Cabi.
De Marrocos, o presidente do Partido de Renovação Social (PRS), segundo maior partido do país, Kumba Ialá anuncia que pretende regressar à Guiné-Bissau e se possível para vencer as presidenciais previstas para 2010.
O futuro político da Guiné-Bissau, onde actualmente está estabelecido um governo de estabilidade, parece também ter encontrado um impasse na data para a realização das próximas legislativas, previstas para 2008.
Apesar do já demonstrado apoio da comunidade internacional à organização do escrutínio, os partidos políticos não se entendem quanto à data, com uns a defenderem o primeiro trimestre do próximo ano e outros o último.
Perante estes focos de instabilidade, aliados ao problema de tráfico de droga, a Presidência de "Nino" Vieira anunciou a convocação de um Conselho de Estado para segunda-feira, com o objectivo de discutir a situação política do país.
A reunião com os conselheiros de Estado ocorre dias antes de o Presidente se deslocar a Lisboa para participar na Cimeira União Europeia/África e quando está a ser preparada uma conferência internacional para discutir a problemática do tráfico de droga no país.
Enquanto dirigentes decidem o futuro, o dia a dia dos guineenses é levado a garantir as mais básicas das necessidades, nomeadamente luz e dinheiro para comprar alimentos.
Jornal de Notícias - http://jn.sapo.pt
Comentários (0)
A VozDiPovo-Online quer saber a sua opinião sobre esta notícia. Comente
Os comentários são escrutinados, sendo excluídos todos os conteúdos racistas, xenófobos, difamatórios e atentatórios da boa imagem dos visados. Antes de deixar o seu comentário, registe-se aqui. É rápido e gratuito. Se já está registado, clique na "Área do Membro" situada no topo desta página.