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Guiné-Bissau: 13 crianças resgatadas de cativeiro no Senegal
13-Dez-2007
Treze crianças da Guiné-Bissau chegaram esta madrugada a Bissau vindas do Senegal onde se encontravam em «cativeiro», disse à Agência Lusa Laudolino Medina, secretário executivo da Associação Amigos da Criança (AMIC).
Segundo o responsável da AMIC, organismo que coordenou a vinda das crianças, rapazes de 10 e 14 anos de idade, estes menores estavam «num autêntico cativeiro» no Senegal.
«Estas crianças estavam num autêntico cativeiro no Senegal, todas elas estavam em ruptura com o centro corânico onde deviam estar a apreender o Corão. Ao invés disso, andavam a mendigar há muito tempo pelas ruas de Dakar», sustentou Laudolino Medina.
Os menores talibés (expressão árabe que significa aluno do ensino corânico),levados para o Senegal por supostos mestres corânicos com o objectivo de apreenderem o Corão, andavam a mendigar pelas ruas de Dakar, pedindo esmolas para entregar aos seus «professores».
«O miúdo que não trouxer entre 350 a 500 francos por dia, é castigado pelo mestre. Com medo do castigo a criança acaba por fugir do centro corânico», afirmou Laudolino Medina.
Deambulando pelas ruas de Dakar, as crianças transformadas em mendigos precoces, são acometidas por doenças como a sarna, bronquite aguda ou até mesmo a tuberculose, disse Laudolino Medina.
«Essas crianças, em ruptura com o centro corânico, passam por situações difíceis. Imagine-se uma criança pelas ruas de Dakar com uma única peça de roupa durante vários dias, numa altura em que Dakar faz muito frio», referiu Laudolino Medina.
Este responsável da AMIC, explicou que a sua organização tem conseguido resgatá-las das ruas de Dakar graças à colaboração de vários parceiros que actuam no Senegal, nomeadamente as associações Enda Action e Amparo das Crianças e a Organização Internacional das Migrações (OIM).
As duas organizações senegalesas, Enda Action e Amparo das Crianças, localizam e acolhem os menores, a Fundação Suíça e o Instituto Internacional do Direito das Crianças apoiam o funcionamento destas duas organizações e a OIM paga as passagens aéreas do seu regresso à Guiné-Bissau, explicou Laudolino Medina.
Por sua vez, a AMIC faz o acolhimento e o encaminhamento dos menores, regra geral, todas oriundos da zona leste da Guiné-Bissau onde são entregues às autoridades políticas e judiciais que os entrega aos país.
O «único compromisso» que os pais assumem perante as autoridades é de que os menores não serão obrigados a regressar ao Senegal, disse o secretário executivo da AMIC.
«Desde 2005, vai para cerca de 170 crianças guineenses resgatadas das ruas do Senegal», indicou Laudolino Carlos. Desta vez vieram 13 de um grupo de 18. Cinco não fizeram a viagem por se encontrarem doentes, disse Laudolino Carlos.
A tarefa maior para a AMIC tem sido o processo de reinserção das crianças resgatadas do Senegal, na medida em que os pais, são pobres e afirmam-se impossibilitados de dar «outro rumo» a um menor regressado do Senegal.
No acto da entrega de uma criança resgatada o pai tem que assumir um compromisso escrito junto das autoridades em como o menor será posto na escola oficial e não será sujeito aos castigos ou trabalhos incompatíveis com a sua idade.
«Os pais por serem pobres e viverem nas aldeias, acabam por não levar a criança à escola oficial e, pior ainda, metam-nas no trabalho agricola», frisou o secretário executivo da AMIC.
Laudolino Carlos afirmou à Lusa que a AMIC «já se sente ultrapassada» pelas dificuldades originadas pelo crescimento do fenomeno «trafico de crianças» guineenses, pelo que apela o apoio de instituições «que se interessam pelas crianças».
Diário Digital / Lusa
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