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Angola: UNITA está preparada para jogo eleitoral com "fair-play"
18-Dez-2007

O Presidente da Assembleia da República portuguesa disse hoje em Luanda, depois de um encontro com o líder da UNITA, Isaías Samakuva, que o maior partido da oposição "está preparado para disputar as eleições - em 2008 - com fair-play".

Jaime Gama disse ter concluído da conversa com o presidente da UNITA, que o partido e o presidente Isaías Samakuva estão "empenhados no processo angolano, na democracia angolana, e, como principal partido da oposição, estão preparados para disputar as próximas eleições com `fair-play` e sentido de responsabilidade quando às instituições".

"Isso mesmo o atesta o facto de participarem na Assembleia Nacional de Angola e o presidente Samakuva no Conselho da República", frisou.

Gama disse ainda que o encontro com Isaías Samakuva foi uma troca de impressões sobre as perspectivas do país, sobre os projectos da UNITA no plano político e eleitoral e ainda sobre a sequência dada pela UNITA do que deliberou no seu último congresso.

"E também a forma como a UNITA vê a sua incorporação no futuro de Angola", apontou.

No termo da visita de dois dias a Angola, Jaime Gama disse levar deste país "a convicção de que o processo eleitoral está consolidado", que estão a ser preparadas as legislativas e também que as forças políticas "estão com sentido de responsabilidade em relação à disputa eleitoral que terá lugar no próximo ano".

"Isso é essencial. É essencial que todos se sintam politicamente representados (...) através de uma escolha eleitoral como acontece normalmente nos países pluralistas e nas democracias", concluiu Gama.

Por seu turno, Samakuva salientou o facto do presidente da Assembleia da República de Portugal ter visitado a "casa" da UNITA em Angola.

"Ficamos honrados pela visita do Presidente da AR de Portugal. É uma pessoa que já encontramos várias vezes, mas o facto de se ter deslocado à nossa casa, isso deu uma outra dimensão aos encontros anteriores", sustentou.

"Foi bom, importante, ter aqui uma delegação de deputados portugueses, dirigidos pelo seu presidente da AR, para trocarmos impressões sobre a UNITA e o nosso país", disse o líder do maior partido da oposição, que também partilha em minoria o executivo angolano nos termos do Acordo de Lusaca , assinado em Novembro de 2004.

"Transmitimos - a Gama e aos deputados portugueses que o acompanham - aquilo que constituem as aspirações do povo angolano. O país está agora num período onde vão ter lugar as eleições e este passo revela que se consolida a democracia em Angola", adiantou.

Depois do encontro com Jaime Gama, Samakuva disse ainda aos jornalistas ter pedido à comunidade internacional "compreensão face aos fenómenos que se desenvolvem em Angola", porque "essa compreensão jogará um papel positivo no processo que os angolanos buscam".

"Falámos também sobre as dificuldades, mas procuramos concentrar naquilo que são as esperanças, as expectativas. Mas, porque esta é a realidade, queremos capitalizar a esperança e o sentido positivo em relação ao futuro", apontou Samakuva.

As "dificuldades que o processo democrático tem conhecido" e, de uma forma geral, os aspectos que são essenciais para a consolidação do processo democrático em Angola", foram os tópicos centrais do encontro entre Gama e Samakuva.

As eleições legislativas em Angola, as segundas em 32 anos de independência, deverão realizar-se, segundo o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, entre Maio e Setembro de 2008.

As primeiras eleições gerais de Angola - legislativas e presidenciais - decorreram em finais de 1992, tendo o MPLA conquistado a maioria absoluta dos lugares no parlamento. Quanto às presidenciais, o candidato mais votado foi José Eduardo dos Santos, que, no entanto, não obteve a percentagem necessária (50 por cento mais um) para vencer as eleições logo à primeira volta.

A segunda volta das presidenciais, entre Eduardo dos Santos e o líder da UNITA, Jonas Savimbi, nunca chegou a realizar-se, e a guerra civil reiniciou-se em Angola, para só terminar em Abril de 2002, com a assinatura da paz em Luena, após a morte em combate de Savimbi, a 22 de Fevereiro do mesmo ano.

As eleições estão agora previstas para 2008 (legislativas) e 2009 (presidenciais) numa altura em que Angola vive um momento de fulgurante crescimento económico, embora esse crescimento, segundo a maioria dos analistas, ainda não se tenha feito sentir na melhoria da qualidade de vida do povo.

Agência Lusa - www.lusa.pt

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