CPLP
Angola: Para presidente da Assembléia Nacional, má convivência causou abandono luso do país | Angola: Para presidente da Assembléia Nacional, má convivência causou abandono luso do país |
| 03-Dez-2007 | |
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O presidente da Assembléia Nacional de Angola, Roberto de Almeida, disse neste sábado, em uma entrevista à agência Angop, que os portugueses abandonaram o país antes da independência "porque não havia convivência possível" com os movimentos nacionais.
Em um balanço dos 32 anos de independência de Angola, comemorados em 11 de novembro, Roberto de Almeida justifica a "fuga" dos portugueses da antiga colônia com a visão que os portugueses tinham dos movimentos nacionais angolanos. Eram vistos como "grupos de terroristas, negros drogados e munidos de espadas com o objetivo de matar os brancos", disse, referindo que a “fuga” resultou em escassez de quadros para a gestão do novo Estado. Apesar de afirmar que os quadros portugueses decidiram abandonar o país, Roberto de Almeida admite ter havido circunstancialmente um afastamento forçado desses mesmos quadros. Mas a razão essencial da “fuga” está na impossibilidade de “convivência política entre, por um lado, os movimentos nacionais e, por outro, a potência colonizadora", Portugal. A posição de hostilidade do colonizador, levou, defende Almeida, ao abandono em massa dos quadros portugueses, porque instaurou-se um clima de incerteza em relação ao futuro do país com a possível ascensão ao poder de qualquer um dos três movimentos, principalmente o MPLA - que proclamou a independência - a Unita e a FNLA. Roberto de Almeida, que procurou com esse argumento rebater a opinião segundo a qual, após a independência, os quadros portugueses foram deliberadamente “corridos” de Angola, admite essa possibilidade em algumas situações isoladas. O responsável lembrou que, após a proclamação da independência, a reorganização do país se ressentiu profundamente com a falta de quadros em quase todos os setores, devido ao abandono de grande parte dos profissionais portugueses. "Garantir administrativamente a marcha de um país novo nas circunstâncias em que ascendeu à independência foi um grande desafio", referiu. Roberto de Almeida sustentou ainda que o nascimento do novo país "assumiu maior relevo devido às circunstâncias que antecederam a independência", referindo-se às várias tentativas de bloqueio da proclamação da independência. Lembrou, a esse propósito, a invasão sul-africana, em 14 de outubro de 1975, e o avanço, pela fronteira norte, das tropas mistas do exército do ex-presidente do antigo Zaíre, Mobutu, e dos guerrilheiros da FNLA. "Isso é histórico, ninguém pode desmentir e não temos razões para esconder, embora reconheça que estamos num momento de reconciliação nacional, mas a história é história e tem de ser mencionada", disse. Adiantou ainda que houve igualmente uma grande pressão dos EUA, país apontado como tendo-se oposto à independência de Angola, o que, para Roberto Almeida, ficou provado pelo fato de o reconhecimento do país por Washington só ter acontecido cerca de duas décadas depois, na década de 1990. "Isso explica-se porque os EUA tinham uma aliança com Portugal, na Otan, e não viam com muito bons olhos - dentro também do princípio da Guerra Fria - que esses territórios (dominados por Portugal) ascendessem à independência com direções que não eram viradas para o ocidente", frisou. O presidente da Assembléia Nacional destaca na entrevista à agência de notícias angolana, que países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, conduziram uma luta de libertação que, salvo honrosas exceções, não contou com o apoio da maior parte dos países e governos ocidentais. Esse fato determinou que os mesmos procurassem alianças com os países da comunidade socialista, que apoiaram a sua luta de libertação. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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