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"A Guiné-Bissau pode converter-se num narco-Estado", Amado de Andrés, agência da ONU para a Droga
06-Nov-2007
"Pelo seu posicionamento estratégico, a Guiné-Bissau é um país muito vulnerável às máfias do tráfico de cocaína mas também do branqueamento de capitais", defende Amado de Andrés.
A Guiné tornou-se um ponto de tráfico de cocaína? A Guiné está na categoria dos países mais susceptíveis de receber cocaína por 3 razões:
1.A cocaína antes exportava-se directamente da América Latina para a Europa, mas agora com a cooperação das policias, as máfias começam a fazer passar a cocaína via marítima ou via áerea através de alguns países da Africa Ocidental.
2. Há uma percepção real que as policias e o aparelho judicial na Africa Ocidental é muito fraco, e essa percepção chega às máfias da América Latina.
3. Existe também a percepção sobre o nível de corrupção destes países onde as máfias consideram que é mais fácil traficar
Que risco corre a Guiné-Bissau? Pelo seu posicionamento estratégico, a Guiné-Bissau é um país muito vulnerável às máfias do tráfico de cocaína mas também do branqueamento de capitais, da imigração clandestina, do financiamento do terrorismo. É um país que precisa, praticamente de tudo, por isso pode converter-se numa plataforma muito perigosa para a região mas também para a União Europeia.
Pode falar-se em narco-Estado? Em termos absolutos a Guiné-Bissau ainda não é um narco-Estado, mas pode converter-se num narco-Estado pela sua vulnerabilidade absoluta. É angustiante saber que o único país da Africa Ocidental sem uma prisão é a Guiné-Bissau.O que pode levar a dizer que se fosse traficante e tivesse de escolher um país no mundo, escolhia a Guiné-Bissau.
Que tipo de grupos se movem no país? São grupos muito desestruturados. As relações entre os criminosos são de conveniência, de "business ventures", e não há uma identificação entre o criminoso e o grupo, só através da actividade. Um dia podem estar em Bissau, dois dias mais tarde em Cabo Verde, e depois na Mauritânia. Só cortando o financiamento a estes grupos será possível combatê-los.
Como é que a Comunidade Internacional está a encarar este problema? Faz-me lembrar aqueles miúdos que num dia de verão estão à volta de uma piscina de água muito fria. Um mete o pé e diz: está fria, vai tu! E assim sucessivamente...A comunidade internacional não pode esperar mais, deve ter um compromisso conjunto.
Cândida Pinto | Expresso - www.expresso.pt
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