Cabo Verde
Náufrago George Monk encontra-se com Chefe de Estado 66 anos depois da tragédia | Náufrago George Monk encontra-se com Chefe de Estado 66 anos depois da tragédia |
| 30-Out-2007 | |
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O Presidente da República, Pedro Pires, recebeu hoje, em visita de cortesia George Vincent Monk, um cidadão inglês que foi um dos 23 sobreviventes de um naufrágio de uma embarcação da marinha inglesa, ocorrido há 66 anos (1941-2007), perto das águas de Cabo Verde.
Em declarações à imprensa à saída do encontro, George Monk agradeceu o gesto “agradável e amável” do Chefe de Estado cabo-verdiano de o receber em audiência, uma vez que para ele Cabo Verde, “um país de morabeza” que o salvou depois 12 dias à deriva numa “baleeira” no mar do arquipélago. Questionado sobre a sua deslocação a Cabo Verde, George Monk disse que está aqui para agradecer e dizer “obrigado” ao povo cabo-verdiano, em particular às gentes de Santo Antão e São Vicente, que o recebeu, na altura, de braços abertos e o tratou com carrinho durante os dias que ele esteve no país. George Monk, que é um dos passageiros do voo inaugural da TACV que, desde segunda-feira, 29 de Outubro, passa a ligar regularmente Cabo Verde à Inglaterra, a partir de Birminghan, lembra que, na altura do resgate, ele e os companheiros encontravam-se “muito debilitados” devido à fome e á sede, depois de 12 dias à deriva no mar. Hoje já com quase 90 anos de idade, George Monk , que foi um dos sete sobreviventes europeus do torpedeamento de «Auditor», é um empresário ligado ao turismo que fez questão de integrar o primeiro voo Birminghan – Praia. Durante a sua estada em Cabo Verde, o inglês George Monk visitará ainda as ilhas de São Vicente e Santo Antão, para recordar o Tarrafal de Monte de Trigo onde foi acolhido. O “Notícias de Cabo Verde”, um dos poucos jornais existentes na época no país, conta que a tragédia aconteceu em Julho de 1941, quando o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial, sendo o oceano Atlântico, um dos palcos habituais dos confrontos entre as forças aliadas e as do eixo, mais concretamente entre a Inglaterra e a Alemanha. Foi no dia 04 de Julho desse ano que uma embarcação inglesa, o «Auditor», que vinha num comboio da Escócia para Durban (África do Sul) e Beira (Moçambique), foi torpedeada por um submarino alemão, o U123 Lt Hardegen. “Fomos atacados às 02:00 e em 15 minutos o navio foi ao fundo", recorda. Os marinheiros lançaram três botes salva-vidas ao mar, dois deles com 33 homens e outro com 34, e andaram 12 dias no mar, quase sem se poderem mexer e nos últimos dias apenas com leite condensado como alimento. "Os três barcos chegaram a Cabo Verde e ninguém morreu", conta hoje George Monk, um sorriso rasgado e cheio de orgulho, lembrando o dia em que foi salvo pelo navio "Sultana", que fazia a ligação entre as ilhas do arquipélago. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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