CapaCabo Verde Júlio Correia, ex-MAI, explica que se demitiu por questão de coerência e dignidade
Júlio Correia, ex-MAI, explica que se demitiu por questão de coerência e dignidade
14-Dez-2007
O ministro da Administração Interna, que hoje pediu demissão, justificou que o fez por uma questão de "coerência e dignidade pessoal" e explicou que o motivo se prendeu com o recenseamento eleitoral.
Em conferência de imprensa, Júlio Correia disse que como não participou na comissão paritária que negociou a revisão do Código Eleitoral e, tendo mostrado reservas em relação a algumas soluções desse código, se recusou a discutir agora a questão com o maior partido da oposição.
O ministro, disse, "entendeu que não deveria ser obrigado (pelo primeiro-ministro) a participar nas negociações entre o governo e o MpD (Movimento para a Democracia, oposição) para alargamento do prazo com vista à realização do novo recenseamento geral eleitoral.
"É do conhecimento público que o Ministério da Administração Interna não participou de forma activa nos consensos que foram alcançados em relação à na revisão do Código Eleitoral. Mas eu assumi sempre as responsabilidades de materializar e executar o código, mesmo quando determinadas posições (nele) constantes mereceram o meu desacordo", afirmou.
"Havendo necessidade de continuar com estas discussões e consenso à volta de prazos, entendi que as mesmas entidades que dirigiram o processo no âmbito da comissão paritária deviam continuar, até porque assumi publicamente posições de reserva em relação ao novo código, pelo que não faria sentido que o ministro da administração Interna fosse confrontado com a obrigatoriedade de participar naquelas negociações", esclareceu.
Júlio Correia disse depois que não pôde explicar as suas razões nem lhe "foi permitido" dar a explicação que deu hoje aos jornalistas, pelo que se demitiu "por uma questão de coerência e dignidade pessoal".
O governante demissionário entende que o executivo não tem de negociar o alargamento do prazo de recenseamento, como o está a fazer com o MpD.
O Código Eleitoral estipula que o recenseamento geral eleitoral termina no dia 31 de Dezembro e segundo Júlio Correia até era possível fazer esse trabalho em duas semanas (o recenseamento ainda não começou). Mas esse mesmo Código, no artigo 49, fala na permanência e continuidade do processo eleitoral", referiu.
O artigo 49 remete para o artigo 54 que manda suspender a operação eleitoral entre Junho e Julho e remete para o artigo 64 que fala do período da inalterabilidade dos cadernos.
"Aqui, a única coisa a fazer é chegarmos a 31 de Dezembro, suspendermos, e o recenseamento geral acabou, mas contínua o recenseamento das pessoas que ainda não estão recenseadas nos exactos termos do artigo 49 do código. No meu ponto de vista não há nada a negociar nem com o MpD e nem com ninguém", explicou o ministro.
Não adiantando o que vai fazer no futuro, Júlio Correia garantiu que não está negociar cargos e que vai continuar a batalhar noutras frentes dentro do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde, no poder).
Júlio Correia é sociólogo e entrou para o governo em 2002, após interromper o seu segundo mandato como presidente da Câmara dos Mosteiros. Foi ministro do Trabalho e solidariedade antes de assumir a pasta da Administração Interna.
A Agência Lusa procurou ouvir um comentário do primeiro-ministro mas fonte do seu gabinete disse que, para já, não há comentários.
Agência Lusa - www.lusa.pt
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