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Jacob Zuma, o eleito para a liderança do Congresso Nacional Africano
19-Dez-2007
Jacob Zuma arrebatou a liderança do Congresso Nacional Africano ao Presidente Thabo Mbeki. Eleito com mais de 60 por cento dos votos dos delegados ao conclave do ANC, partido que governa a África do Sul desde a queda do regime de apartheid, Zuma posiciona-se para chegar à chefia do Estado nas eleições gerais de 2009.
Foi debaixo de uma sonora ovação que o presidente da comissão eleitoral do ANC, Dren Nupen, anunciou o desfecho do congresso do partido. Perto de quatro mil delegados do Congresso Nacional Africano entregaram-se durante dois dias, em Polokwane, no Nordeste da África do Sul, a um intenso debate - a espaços amargo – em torno do rumo do partido no poder.
Os mais de 60 por cento dos votos (2.329) atribuídos a Jacob Zuma ditaram o cair do pano sobre dois mandatos sucessivos de Thabo Mbeki na ponte de comando do ANC. E deixam o actual Presidente sul-africano com escassa margem de manobra para gerir os destinos do país até às eleições gerais de 2009.
Treze anos depois da queda do apartheid, a África do Sul é ainda um país de contrastes, onde os índices de crescimento económico contínuo seguem a par de uma taxa de desemprego que ronda os 40 por cento. O ANC de Zuma deverá agora entrar em rota de colisão com o liberalismo económico de Thabo Mbeki, que não logrou somar ao crescimento sustentável o resgate de milhões de sul-africanos a um quadro de pobreza extrema – 43 por cento da população vive com menos de 300 euros por ano.
A carreira do zulu Jacob Zuma, político que goza de grande popularidade entre as bases do ANC, foi manchada por processos de corrupção e violação. O que torna ainda mais significativo o seu regresso à primeira linha do partido que domina a arena política sul-africana desde 1994, o ano das primeira eleições multiraciais.
Em 2005, Thabo Mbeki afastou da vice-presidência do país o agora líder do ANC, depois de o seu conselheiro financeiro, Shabir Shaik, ter sido condenado por corrupção. Um ano depois o nome de Zuma aparecia associado a novo escândalo: o antigo vice-presidente foi julgado por alegada violação de uma jovem seropositiva, mas acabou por ser absolvido.
Embora apareça em posição privilegiada para render o autocrático Mbeki na Presidência, o novo líder do ANC ainda não está a salvo de eventuais acusações de corrupção relacionadas com os mesmos negócios milionários de armamento que levaram à condenação de Shaik.
Nos antípodas da personalidade discreta de Thabo Mbeki, Jacob Zuma é um político da esfera do populismo conhecido pelas suas qualidades de tribuno sedutor de massas.
O novo chefe do Congresso Nacional Africano soube capitalizar o desencanto das bases do partido face à linha de acção do Presidente.
Percurso
Natural do KwaZulu-Natal, Jacob Zuma ingressou em 1958 (aos 16 anos) nas fileiras do ANC, então um movimento de luta contra o regime de segregação racial. Em 1963 seria condenado por atentar contra o Estado e confinado durante dez anos às grades de Robben Island – o mesmo destino de Nelson Mandela.
Seguiu-se um exílio de 12 anos, primeiro em Moçambique e depois na Suazilândia e na Zâmbia. O regresso à África do Sul dá-se em 1990, quando Pretória reconhece o Congresso Nacional Africano enquanto formação política.
Zuma tomaria parte activa nas negociações que desembocaram nas primeiras eleições democráticas multiraciais. Antes de ser eleito para a vice-presidência, em 1999, desempenhou o cargo de ministro provincial da Economia no KwaZulu-Natal.
Agência Lusa - www.lusa.pt
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