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África do Sul: Mercados reagiram bem à eleição de Zuma, líderes e analistas políticos cautelosos
19-Dez-2007
O sector financeiro e bolsista da África do Sul reagiu hoje com normalidade à eleição de Jacob Zuma para líder do ANC, até agora liderado pelo presidente do país Thabo Mbeki.
A Bolsa de Valores de Joanesburgo abriu o dia em ligeira alta (0,1 pontos percentuais) e a moeda sul-africana, o rand, manteve-se firme contra o dólar norte-americano (6,91) e o euro (9,96).
Em Polokwane, os 4 mil delegados das estruturas de base do Congresso Nacional Africano (ANC) regressaram aos trabalhos da conferência para a elaboração das políticas e estratégias partidárias, tendo decidido adiar a conferência de imprensa do novo líder para o final do encontro.
Enquanto isso, os dirigentes partidários, líderes cívicos e religiosos e analistas "digerem" a derrota de Thabo Mbeki e a eleição de Zuma para a presidência do ANC com cautela e até com uma nota de optimismo aqui e ali.
Na área política, a nota mais negativa pertenceu à líder da oposição oficial, que descreveu a eleição de Zuma para presidente do ANC como "um dia sombrio" para o país e para o movimento.
"O facto de o partido no poder não ter encontrado melhor candidato do que Jacob Zuma para o liderar é uma boa indicação do estado em que ele se encontra. Na conferência de Polokwane, ficou bem patente que muitos dos apoiantes de Zuma são populistas sem regras de comportamento nem disciplina, que não observam as mais básicas normas da decência e do comportamento democrático", disse hoje Hellen Zile, líder da Aliança Democrática, a maior força da oposição parlamentar.
Na Cidade do Cabo, o ex-presidente Frederik De Klerk, que em 1989 tomou a iniciativa de iniciar o processo de liquidação do "apartheid" libertando Nelson Mandela e todos os presos políticos e legalizando os movimentos de libertação em 1990, enviou os parabéns a Jacob Zuma pela sua eleição para presidente do ANC.
Ao mesmo tempo, De Klerk aconselhou o novo líder do Congresso Nacional Africano a não efectuar mudanças radicais na política económica que Mbeki adoptou.
"Congratulo-me com as garantias dadas pelo sr. Zuma de que irá manter em vigor políticas macro-económicas que asseguraram 13 anos de crescimento ininterrupto", disse F.W. De Klerk, explicando que tais políticas representam a melhor aposta na defesa dos interesses dos mais pobres a longo-prazo.
De Klerk enviou também uma palavra de conforto ao presidente derrotado, afirmando que "Mbeki já assegurou um lugar na História".
"Ele ficará para sempre associado a 13 anos de progresso económico e social, à consolidação da nossa democracia constitucional e à promoção da paz, unidade e dignidade humana em África", concluiu o ultimo presidente do regime de minoria branca, a quem Nelson Mandela sucedeu em 1994.
Para Mangosuthu Buthelezi, líder do partido Inkatha - cuja principal base de apoio é na província zulu do Kwazulu/Natal, de onde Zuma é oriundo - Jacob Zuma enfrenta a partir de agora "enormes desafios, mas é para ele um privilégio e uma grande responsabilidade liderar o ANC a partir deste momento".
Agência Lusa - www.lusa.pt
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